Ao longo do Caminho há as veredas!
Não caminhamos sozinhos, ainda que não olhemos para o lado.
Toda a Vida, cada instante da Vida, é vivida, ainda que não o saibamos, com a luz de muitos outros - os que nos amam.
É quase sempre com essa luz, que nem sempre conseguimos ver, que o Caminho se vai iluminando. Mesmo quando achávamos estar sós!
Somos, por isso, tecidos de nós, das memórias e dos outros, os que vivem em nós.
Mas o Caminho faz-se na ida e no regresso, na retirada, no vazio e no silêncio de estar só, desviando o olhar. Ficando só!
Um dia regressamos sempre a nós, deixando nos rostos de quem nos ama, o seu olhar doce, o seu enleio. Mas trazêmo-lo, também, qual ladrão de joias, para que possamos continuar ricos.
Coladas à alma veêm as saudades: as memórias de quem tem que vir mas sempre fica.
Ontem vi a saudade!
Era alva como a mais bela manhã, mas continha em si a noite mais escura: era suor; eram lágrimas, um olhar estendido e um abraço que fica nos braços.
Era Amor. Muito, muito Amor. Era, também, a esperança do reencontro e de todos os momentos serem, ainda, ainda mais, vividos, ainda mais sentidos, tatuados na alma.
Vi-lhes no olhar uma morte, súbita, mas que, também, ela logo morreu; vi-lhes no rosto o sorriso do reencontro anunciado.
Amamo-nos todos porque somos pele uns dos outros, porque respiramos o mesmo ar e porque só sabemos viver tudo partilhando, porque nada é só nosso.
Amamo-nos porque somos, cada um de nós, uma marca do Caminho; deste Caminho que os cinco sempre seguimos, par-a-par, ao longe mas sem distância.
Eu, que sou elo do meio, olho de onde vim e, depois, miro estas cabecinhas louras com o seu cheiro de meninos e o meu coração sorri.
Felizes, no paraíso, a crescer com a alma inundada de alegria, estes meninos têm dois miradouros para a Vida.
Mas sei que em todas as horas, em cada minuto, há sempre aquele alguém que lhes faz falta - um avô que é um prodígio e uma avó que é uma fonte!

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