Do pouquíssimo que aforrei, de tudo o que me ensinaram e fui mirando pela Vida, é a certeza de que o importante não se compra, nem se vende; dá-se e recebe-se: razão por que não é na mundanidade que encontraremos a diferença.
Sabemos disso porque constatamos a felicidade de quem nada tem, como uma daquelas crianças pobres de um qualquer beco dito miserável deste Mundo quando joga futebol com uma bola feita de farrapos e, ao mesmo tempo, somos confrontados com a tristeza líquida nos olhos de outros "homens pequeninos" que têm quartos próprios, arranjados cheios de tralha para inventar brincadeiras.
A proporcionalidade directa da alegria de uns e da infelicidade de outros reside, tão-só, na dádiva a que estão habituados a receber e a dar.
O menino que se afigura pobre tem muito pouco onde agarrar, mas vive profundamente naquilo que realmente tem, porque esse pouco é mesmo seu; dá-se por completo àquele quase nada e vive nele o rol de emoções profundas que esse pouco lhe transmite. Vive muito naquele pedaço!
Já aquela criança que vive na confusão da materialidade, onde o excesso pontua como espelho perfeito da opulência bacoca, sofre a angústia, a tremenda angústia, de se sentir obrigado a dividir entre tudo e não ter nada: afinal ela sabe que nunca se pode dar tudo a todos e, por isso, aquele quase tudo não é mais do que lixo.
O desafio é, pois, avassalador - num Mundo onde uma parte da humanidade vive marcada pelos desígnios da opulência, do consumo, do excesso é essencial a simplicidade; a busca da simplicidade.
Sentir que cheirar o ar é maravilhoso, que mirar uma criança que sorri é prodigioso, que percorrer aquela vereda íngreme e cheia de hera, silvas e restolho pode ser a viagem é, afinal, ter a coragem de resgatar a simplicidade, é ter a desdita de fazer soar com a própria Vida que "o essencial é invisivel aos olhos, só se vê bem com o coração": a coragem dos verdadeiros heróis, os que resgatam a sua Alma para a doar aos outros e ao Mundo.
Ser simplesmente é entender com a pele do coração que só somos tocados pelo que é pequeno, silencioso, pois que aquela parte de nós, aquela pequeníssima parcela de nós que é elo com o Infinito, apenas é fibrilhada pela Verdade - tudo o que provém do coração: o que não se compra nem se vende, apenas se dá e se recebe.
"O essencial é invisivel aos olhos. Só se vê bem com o coração" Antoine de Ste. Exupéry

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