domingo, 29 de agosto de 2010

Da Intensidade da Luz

O Homem que vive de frente para o Mundo tem a gratidão de encontrar a natureza.
Sempre me tive como apenas, e apenas só mais um dos elementos que compõem o Mundo. Com o mesmíssimo lugar que uma pedra, a hera que cobre as paredes de um muro ou mesmo o riacho que corre pelos caminhos mais recônditos da paisagem.
E é, precisamente, por me sentir um pedaço deste universo, e apenas mais um pedaço, que trago nos ombros a marca da liberdade: sentirmo-nos de igual valia à de um seixo permite-nos entender, com toda a verdade, que o Mundo precisa de nós, como precisa de tudo o resto, à sua propria medida.
Por isso, sabendo que é por ser quem sou que o Mundo precisa de mim, revelo-me em plena liberdade.
Sou eu quem sou!
Neste carrossel que é a Vida, gerida pelo Tempo, esse mestre, sei que tenho de ser quem sou!
Assim nada temo: sei que tudo o que faço é pendulo do universo.
Sei que se amo muito e sou, ainda, mais feliz com o homem que amo é porque este é um Amor maior; sei que se olho os girassois à luz do sol e me comovo é porque tanta beleza me estremece o coração; sei que se este cheiro que recolho no restolho seco me apazigua é porque o resgatei da memória da menina de 7 anos que ali, eu mesma, já o cheirava; sei que se choro com as dores que a "minha irmã mais nova" sente é porque ela é uma parte de mim!
Com tudo isto recolho, todos os dias, a lição de que é por sermos quem somos que o Mundo é tão belo e de que é na prodigalidade do Amor que nos encontramos mais nós, tão-só porque tudo nos é devolvido como dádiva.
Assim foi quando, ao banhar-me de luz pela manhã, o sol me incandeou: o teu Amor pleno, eu sei; ainda mais pujante, muito mais, que todo o Amor que te tenho e coloquei na intensidade desta luz tão bela, a de uma manhã de Verão tórrido, que até te fere o olhar.  

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