quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Viver

Quem respira parece estar vivo, não é?
Há quem defenda que sim.
Outros, ainda, pugnam que basta que o coração bata para que logo se conclua pela vida.
Para outros chega que uma parafernália de máquinas sustentem o que já não vive para que se mime a vida.
Não o é para mim; nada disto, para mim, é viver.
E seria-o vestir o tailleur com a blusa de seda, colocar o colar de pérolas, a seguir ao duche da manhã e já depois da maquilhagem, dar o beijo costumeiro ao marido e aos filhos e arrancar de carro e depois de chegar ao emprego, beber o café e falar das ultimas novidades, porque é tudo isso que se espera que aconteça?
Não. Não o seria, também.
E que tal, estar longe do mundo dos comezinhos, olhar apenas para uma parte que fica a meio caminho do firmamento, onde pretendentes a estrelas ensaiam rasgos, melhor, nesgas de luz e onde o passaporte é apenas franquiado aos que têm desenhada uma pretensa aura de brilho e invencibilidade? Não é isso mesmo viver?
Descontente, eu, digo freneticamente, não.
Ou será buscar a tranquilidade da pequena toupeira que tão laboriosamente constrói a sua toca para se esconder do mundo, envergonhada.
Ainda digo não.
Viva, profundamente viva, eu me confesso!
E vivo porque respiro um ar doce em cada manhã que dura até cada nova aurora.
E vivo porque de cada vez que espalho o meu olhar encontro Homens maravilhosos a quem amar.
E vivo porque a água é lisa e sacia sempre a minha sede e limpa a minha pele, que todos os dias é mais bela pelo tingimento da flor da idade.
E vivo, também, pela luz que encontro em cada olhar que ilumina o meu.
Mas, ainda, vivo pela descoberta de que não tenho medo.
E vivo, vivo muito porque me tenho o maior amor do mundo e nesse amor encontro todos os a quem o mesmo amor doei.
Porque viver é estar vivo.
É saber que viver é sentir o cheiro da neblina que o mar transporta ao amanhecer.
É saber que viver é reconhecer, mesmo antes de sentir, que o Amor nasceu.
É saber que viver é olhar o firmamento e que nem esse é o limite.
Viver é ser capaz de ser fada, é ser capaz de reconhecer os anjos, é ter a capacidade de saber que Deus existe; é colocar um sorriso no rosto e levá-lo para o coração.
E assim, plena, espalhar pelo Mundo a ultima alquímia: a magia de viver. 

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