quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um por Todos, Todos por Um

Descendo de uma linhagem cujos cavaleiros se fizeram por Honra.
Não há Ordens, não há Comendas, e quando há Medalhas, francamente, não são das melhores!
Mas a valentia desses cavaleiros foi sempre tanta que me deslumbrou, apaixonando-me pelas suas lutas, pelas suas armas, pela sua forma de viver.
E se sei que para vós um cavaleiro é um homem, de preferência com uma espada na baínha, quem sabe com uma armadura, já para mim não é nada disso.
Cavaleiro para mim é uma pessoa de coração pleno, homem ou mulher, as suas armas só poderão ser a vontade, a inteligência e a integridade e a armadura apenas um coração sempre pronto a amar.
É quem serve os outros por missão, com uma humildade sem limites e sempre com um sorriso no coração.
Nasci, sorri pela primeira vez, dei os primeiros passos, balbuciei as primeiras palavras e aprendi a brincar com quem desta maneira vive e serve, desta forma amando.
Provenho de uma linhagem de dois cavaleiros de longa memória; e com eles, mirando-os de soslaio, aprendi a viver de doação em doação.
Sem régua, sem esquadro, apenas com barro e vento; e sempre pronta a colher os frutos da Vida e a deixar-me construir pelos desígnios do meu Caminho.
Tendo apenas por norte o Amor, o imenso, o estonteante Amor, pela responsabilidade de crescer sempre e de seguir aquele, o meu Caminho, com dignidade.
E assim, a pouco e pouco, como acontecem os grandes amores, fomo-nos misturando.
Eles deixaram de ser "apenas" os meus pais e passaram a ser uma parte de mim, que está sempre a crescer mas sem que me invada um pouco sequer e passámos a formar uma brigada.
Sempre juntos, ainda que muito longe.
E junta-nos uma cumplicidade ímpar, um amor que já nem sei se é amor, envolve-nos uma teia que nos acalenta: somos um por todos, todos por um.
Mais do que um lema, é um propósito consagrado.
Agora eu sou ponte!
Trago em mim tudo o que amealhei na alma, tentando, também, passo a passo, aforrar um pouco mais que o Mundo me ofereceu.
Dia a dia, com ânsia dissimulada (quando o posso!), tento mostrar às gaivotas como é voar em bando; sobretudo sem grandes preocupações em apanhar o peixe para o pequeno-almoço mas empenhados em voos cada vez mais altos, desafiantes.
Fazemo-lo todos juntos, a três!
Mesmo quando há temporal todos nos molhamos e sentimos o vento a sacudirmos as asas; quando o estio aperta todos nós sentimos a sua canícula; e ainda quando é festa, é festa de arromba para todos, nem que seja na improvisada pista de dança da cozinha, entre o aquecer de pratos no micro-ondas e o levar de pratos para a copa.
Assim se teceram, também, os cordelinhos da confiança, da mescla, da troca, de ser de todos o que é de um, ficando todos mais plenos.
A alegria é, assim, mais forte por ser de todos quando era para ser só de um e a dor desvanece-se quando o desafio acerta em qualquer um de nós.
Também nós, muito, muito mais do que um lema, somos um por todos, todos por um!
É por isso que, para todo este bando, é tempo de festa.
A Vida ofereceu-me o Amor, um Amor Grande.
Mas a alegria por esta dádiva não é só minha. Decididamente não é só minha!
A Loira está esfusiante, delira; o Zaruca tem um sorriso tão rasgado no rosto, que lhe chega ao coração.
Percebo agora, só agora, que só verdadeiramente amamos quando cedemos o pedaço de nós que permite aos outros usá-lo como ponte para nos ligar - tive esse pedaço de onde vim, dei esse pedaço ao meu bando e hoje, nós dois, damo-lo; um ao outro e a todos a quem cada um de nós ama.
Benvindo.
Mais do que um lema, nós os cinco somos um por todos, todos por um.
Tu que já eras um Senhor, hoje és um cavaleiro. 

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