terça-feira, 7 de setembro de 2010

Só Deus tem os que mais Ama

Não somos nós, nem nunca o seríamos, sem aquela amálgama maravilhosa de encontros que tivemos, de adeus que partiram, de gente que nos olhou e de quem nem, sequer, nos sentiu respirar mas sem quem, pensámos nós, nunca mais viveríamos.
Sem memórias, sem memória, não seríamos quem somos.
Porque nunca o somos. Somos nós e aquela multidão que connosco vive, a que nos cruzou e a que, momento a momento, vamos perfilando no horizonte desta Vida.
Viver, sentir o coração, é darmo-nos por inteiro a essa multidão. Sem medo.
É saber que, instante a instante, encontramos sempre Homens bons, muito bons; mas que há também quem nos faça apertar o coração.
É sentir que depois de um "Olá" pode vir a caminho a maior alegria, mas que se lhe pode seguir um desafio estonteante porque era a descoberta que necessitávamos para sermos quem precisámos de nos revelar.
É descobrir que num breve instante, sem sequer darmos conta, tudo pode mudar porque há milagres absolutamente maravilhosos e que, então, podemos num ápice encontrar quem esperávamos desde sempre, ainda que não o soubessemos e, assim, viver a maior das revoluções.
É descobrir, também, que quem nos povoa um dia parte.
Um dia que é um desafio; que nos obriga a repensar quem sou eu, o que é a Vida, porque amamos?
Um dia longo, muito longo.
Um dia tão longo que temos vontade que seja noite para ser logo, logo outro dia.
Mas essa nova aurora acaba, sempre, por nascer.
Podemos, então, olhar os que partiram com saudade: a memória com acuçar.
Pude, então, lembrar-me como foi ser coberta pelo avental da tia Leonia quando, à pressa, fui tirada dum movimentado rego de água, onde caí porque a voragem de a abraçar foi maior do que a minha destreza de menina de 3 anos. E saber, como sempre sei, que ela é mais uma estrela que brilha no firmamento. Ainda mais para mim.
Só Deus tem os que mais Ama; eu sei.
Mas na minha memória, na nossa memória, estão sempre todos os que amamos. Para sempre.

Sem comentários:

Enviar um comentário