terça-feira, 14 de setembro de 2010

Declaração de Amor

Não sei muito bem se o Amor se pode declarar. Nomear sim.
Mas declarar, como quem faz um discurso, já não tenho certeza.
Verdade, que quanto ao Amor pouco é assente, a não ser senti-lo.
Será que posso chegar a um qualquer lugar, apresentar-me e frente a uma plateia, dizer como palestrante "Amo o Miguel porque a luz dos seus olhos iluminou muito mais os meus" ou, ainda, "O mistério deste Amor foi desvendado pelo tecer de torvelinhos de fadas que, entretidas, nos destinaram" ou, também "Agora que amo o Miguel nunca mais quero ser feliz sozinha"?
Posso fazê-lo sem magoar o Amor?
Não precisa o Amor de ter cómodo próprio, não vive de silêncio enovelado, não necessita de retiro para se espraiar, para respirar?
Meditei, meditei muito sobre o Amor, acerca do caudal do nosso Amor.
E soube o que nunca esqueci: ele precisa de ser ele próprio, como nós precisamos de o ser - luz, alegria, entrega, paixão e dádiva e muita, muita felicidade.
Sem isso ele sofre; sem isso perdemos-nos. De nós e de mim e de ti.
É, por isso, que emerge ser declarado o Amor. Como nunca antes.
Mais do que nomeado. Hoje precisa de ser declarado!
O Amor, o meu Amor, o teu Amor, o nosso Amor precisa mais do que nunca de ser declarado, é pulsão da Vida!
E a Vida nunca se nega, vive-se. Momento a momento. Como pedra preciosa que se colhe do Tempo.
Declarar o Amor é, antes de mais, nomeá-lo para nós sem medo; ousando ter a coragem de enfrentar o medo, de dizê-lo um cão sem dentes, um fantasma desnudado, mirá-lo nos olhos e dizer-lhe "não existes".
Uma certeza existe: Amo-te!

 

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