Num tempo em que as montras do Mundo imperam, num momento em que a juventude, a beleza e o dinheiro são ícones, agora em que parece que só os vencedores têm lugar, encontro muito pouca felicidade nos rostos e mingua a alegria.
Todos ou, pelo menos, quase todos dirão que a dificuldade dos tempos dita esta dor colectiva, este sofrimento compungido de quem se mostra, quase sempre, obrigado a ser infeliz.
Tenho para mim que nada disto é assim - nunca o Homem teve uma garantia de Vida tão longínqua, jamais teve o augúrio de, na generalidade, aceder aos meios necessários à sua subsistência, em nenhum tempo antes teve tantos "pequenos luxos", quase sempre desnecessários, para se envaidecer.
Então, pois, porquê tanta Vida amorfa, tanta paralisia de emoções, porque tem o Homem tanta pena de si próprio?
Nesta sociedade em que os bens estão todos, não para plantar nem para depois colher, mas sim para serem comprados, o Homem habituou-se a remédios faceis. Para tudo haverá uma solução, pensa, há apenas de investigar - o que é facil nesta sociedade de analfabetos informados - e depois comprar!
O Homem deste tempo desabituou-se de pensar em si.
Deixou de se importar naquele que é o seu desempenho na Vida e da Vida de todos os quais tocou: tanto quanto a informação, que corre a uma velocidade verdadeiramente estonteante, o Homem habituou-se a soluções faceis, daquelas em que se acha pouco do seu empenho e mais, muito mais, o que pode comprar; as soluções descartáveis!
Tudo porque o Homem se quis esquecer de si e de quem é!
Hoje busca na perecibilidade do que se compra e do que se vende a cura para as suas dores e quando, mesmo assim, o vazio é interminavel, acaba por querer descobrir no outro a alquímia da sua felicidade.
Foge de se ouvir, fustiga, de todas as formas que aprendeu, o silencio, que se apresenta como uma dor de que tem repulsa.
O silencio incomoda-o na constante interpelação a que ele já nada sabe responder.
Tudo porque o Homem se esqueceu que é medida de todas as coisas - a sua felicidade tem que, forçosamente, resultar do desenho dos seus sonhos, já não de um outro; mesmo e ainda que o outro seja uma parte de si.
É por isso que o Homem tem que voltar a si, mirar-se no espelho das suas emoções e encontrar-se no vazio: assim se salvando!
Pois só nessa busca, que terá de nunca cessar, é que há a certeza de se encontrar, de alcançar em plenitude a compreensão do seu lugar e, assim, vivê-lo.
Tudo o demais, para além de efémero, é-lhe estanho.
A Vida é um projecto belo de mais para que o devolvamos ao Criador ou que fique obnubilada pela desculpa da desgraça dos tempos.
Buscar, buscar sempre, dentro de nós o nosso caminho e sendo nós proprios, com o coração vazio de qualquer veneno e com olhar no firmamento: eis o elixir da unica verdadeira felicidade.
E quando, um dia, encantados convosco, cheios da boa alegria e com a chave da porta da felicidade, partilhem esse dom com o Mundo. Pois ficará mais rico!

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