sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Outro Berço

De cada vez que sou confrontada com a Beleza, com tanta Beleza, daquela que fere mesmo os olhos pergunto-me: "E eu?".
Questiono-me sempre, logo que a pele se arrepia e que as lágrimas humedecem o olhar, onde estava eu quando o Criador distribuiu aqueles dons?
Cores, traços, luzes, magia: é tudo isso e mais, muito mais, que aquela pintura - vida congelada em formato reduzido - me dá!
Entro viva, resplandescente e saio sempre contemplativa, em silêncio; atrevidamente, diria mesmo, que mais sábia (pouco, muito pouco, claro!).
El Greco ensina-me a gradiosidade e faz-me sentir que mesmo humanos, sempre humanos, podemos aspirar a ser um pouco mais. Como ele foi.
Rubens diz-me que a beleza é eterna, mesmo quando nem sempre é aquilo que foi, quando nem sempre é aquilo que parece ser. Mas beleza é sempre beleza.
Velasquez é a fotografia doce da realidade, como aquela que eu queria fazer todos os dias: para todos, os que amo e, sempre, tentando, mesmo para todos os outros.
Aqui recordo tudo o que tenho, imenso, e penso em todos aqueles, um a um, muitos, a quem amo e penso que sou mesmo a mulher mais feliz do Mundo.
E com um sorriso rasgado, até à Alma, distribuindo alegria, como quem oferece caramelos aos meninos em dia de festa, cumpro aquele que é a mais sagrada das tarefas que Ele me ofereceu: ensinar as minhas gaivotas a voar!
Hoje é ele, o meu menino, um companheiro ímpar de viagem, daqueles que sabe ter a conversa mais cúmplice, comer a andar e até a calar-se quando a fera se aproxima!!!
Mostrar-lhe o outro berço, o Mundo, a grandeza que fica depois do muro do nosso jardim, é meu dever. Exibir-lhe as grandezas, inundar-lhe os olhos de Vida, mostrar-lhe cada desafio, ser só dele e tê-lo só para mim é uma Viagem! A maior de todas, nesta outra!
Quando nos miro, hoje, fica por descobrir o que já nos liga; é já um mistério saber quem cuida de quem; mais, quem é a gaivota que perfila no horizonte?
Sei que o Pedro é o meu filho, mas sei que é ainda um pai, meu amigo e companheiro de todos os momentos. Sei que me ensina a ser generosa, leal e doce a cada momento. E sei que, mais do que qualquer outra pessoa, sabe ouvir o meu silêncio em silêncio. 

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