Nunca gostei de heróis.
Precisamente porque são heróis: são idolatrados e, por isso, as mais das vezes os seus feitos são mais fruto dum imaginário que precisa de os compôr.
Pois afinal o que seria deste Mundo sem heróis?
E um herói é, geralmente, para além de publicamente casto, com feitos de memória longa, um Homem que obedeceu aos cânones da sociedade e da comunidade onde viveu e fez perpetuar a sua imagem de importante, imponente e poderoso. Antes de mais, porque assim se tinha para si mesmo!
E foi herói por isso mesmo: a sociedade quis embandeirá-lo como exemplo.
Muito poucos são os "anti-heróis" que se perpetuaram na nossa História: lembro-me talvez de Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e de Luther King, mas estes porque o óbvio não precisa de marketing!
Só por isso! Senão teriam sido, como foi tentado, a passos, que a sua imagem se quedasse.
Do lado oposto ao dos heróis estão os outros.
Eu sou uma outra!
Por isso sei, com toda a benção que isso me dá: não sou importante, nunca fui imponente e poder nenhum tenho.
Mais, tenho a felicidade de saber que os meus feitos se perpetuarão, se calhar, nem mesmo até ao fim da minha vida ou, na melhor das hipóteses, serão falados pelos meus filhos e, de forma enevoada, recordados pelos meus netos, se os houver.
Sei, ainda, que obedeço a muito pouco dos tais cânones que esta sociedade moderna me quer impôr: não gosto das "montras do Mundo", sou alérgica a "poderosos", a sociedade de consumo maça-me, não sigo a rota convencional das "tias" e sou demasiado afrontada para estar em sítios poluidos, como são aqueles onde estão pessoas que não estimo, lugares que me oprimam ou onde não se respeitem a educação, a simplicidade e a alegria que uso.
Sou uma viajante nata na arte de bem-viver!
E essa, sei hoje mais do que nunca, essa é a maior ofensa que em qualquer sociedade se pode cometer aos tão queridos cânones:
Sou livre, impondo-me ser cada vez mais livre, a cada dia que passa;
Sou digna, impondo-me sê-lo mais e mais, a cada momento;
Sou alegre, impondo-me ser estonteantemente alegre;
Sou feliz, impondo-me que a felicidade germine em cada um dos meus actos.
Por isso já desafie, muitas vezes as regras. Dizem eles!
Por isso não vivi uma Vida costumeira, cómoda, segura: daquelas de postal ilustrado com brilho garantido!
Quis sempre, mas sempre, voar mais e mais para encontrar o meu lugar na Vida; quis conhecer-me mais para poder ensinar a quem de mim nasceu como se voa e que se deve voar por prazer e com alegria; quis rasgar horizontes para descobrir outras tonalidades da Luz, afinal assim podia mostrá-la aos outros e contagiá-los com a minha felicidade; quis amar, amar sempre a tudo e a todos como o faço a mim.
E como pequei. Dizem eles!
Ontem, sem aviso, também acabei por descobrir que afinal há tantos Teerão: não é só lá que a religião, lida de forma arrevesada, mata nem fere!
Em Portugal, também a Igreja Catolica, tenta ferir de morte!
Sou católica, sou praticante - talvez das politicamente incorrectas que tenta, muitas vezes sem conseguir, amar os outros como a si mesma, tenho todos os sacramentos (menos o da Ordenação e o da Extrema Unção), educo os meus filhos segundo os príncipios da Santa Madre Igreja, mas, sobretudo, tento colocar Deus em cada um dos momentos da minha Vida.
Não me martirizando, não usando de múltiplas rezas e orações, não assistindo a todas as missas: mas mostrando-O a quem passa na minha Vida, dando-Lhe o pouco que faço, entregando-Me nas suas mãos, aceitando tudo o que Ele me oferece.
Sempre.
Com um sorriso.
Mas isso não basta. Dizem eles!
Não obedeço aos benditos cânones: sou divorciada e por isso sou banida da confiança da Santa Madre Igreja para poder apadrinhar uma crismanda!
Quando será o dia em que encerrarão as portas da Igreja do meu Deus por eu não ser digna de lá entrar?

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