quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pela luz dos seus olhos

Sou da horde das que opina que as verdadeiras revoluções são as que rugem em silêncio: são os olhares, as palavras mansas, os gestos pequeninos que transformam o Mundo.
As ferramentas da revolução são, nessa medida, a arte e as pessoas.
Nada, quase, do que tenho.
Quando Deus, o meu Deus, distribuiu os talentos não me quis presentear com a faculdade de tocar o Mundo pela arte: ainda hoje desabafava, sempre com aquele travo de encolher de ombros, como lamentava não poder correr o Mundo a cantar, a fazer vibrar pelo toque da musica no coração, quem me escutasse, tal como o faz prodigiosamente Mirusia Louwerse, por exemplo.
Tento honrar a arte sendo obediente aos seus desígnios: amando-a, deixando-me tocar, vibrando com ela, deixando que me transforme em alguém melhor porque me adoça o coração.
Como ao Amor!
Já quanto às pessoas...
Foram-me, apenas, entregues duas!
Como lamento, pela escassez.
Prodigioso seria caminhar pelo mundo com uma multidão de pequenas cabeças. Um sonho!
Sabendo que apenas eu sua mãe - visto que eles nunca serão meus - sei que é meu mister mostrar-lhe todas as coisas, como se elas se pudessem exibir.
Sim, exibir-lhe todas as coisas, tornando-os seus intérpretes; jamais lhes puderei dizer a Vida é isto, o Mundo é aquilo, o Homem é assim, já Deus é aquele. Nunca!
Cabe-me mostrar-lhes a face alva de todas as coisas, projectar luz, apenas; apenas isso.
Como que a exibir um filme, pedindo a sua atenção, para que possam vê-lo com os seus proprios olhos. Os unicos que lhes poderão ensinar a sua verdade.
Ao longo da mirada, na mescla do que são eles com aquilo que são todas as coisas, o Mundo é já diferente, a Vida já está transformada, o Homem ficou necessariamente diferente e Deus, Deus está muito, muito mais rico: afinal já se plasmou em duas criaturas absolutamente maravilhosas, é um barro muito mais abençoado.
A tal revolução!
Pela luz dos seus olhos já tudo é diverso.
Eu sou diferente: aprendi, como nunca antes - ele doou-me o Amor e ela ofereceu-me asas para o Coração.
E com eles, nessa luz, ficará para sempre a marca do meu perpetuo.


 Sê

Se não puderes ser um pinheiro no topo da colina,
Sê um arbusto no vale - mas Sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma arvore.
Se não puderes ser um ramo, Sê um pouco de relva
E dá alegris a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda.
Se não puderes ser sol, Sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas Sê melhor do que quer que sejas.

Douglas Malloch
 

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