A diferença de cada Homem está contemplada em tudo o que vemos de seu: não há um Homem igual a outro.
Mesmo aqueles que se assemelham têm sempre a marca do que é distinto.
Parecidos, seremos muitos uns com os outros. Iguais, nenhuns.
Disso se encarregou a genética, mas não só. A cada um de nós preside uma singular forma de viver, de sentir e até de comunicar.
Ao repararmos numa qualquer realidade, qual seja uma flor silvestre, podem ter a certeza que, uns vaticinarão tratar-se de um prodigio da natureza, do que mais belo se pode encontrar, enquanto que para outros, pouco mais será do que uma erva daninha.
E todos eles estão certos.
Cada um deles é uma diferente verdade.
E é por isso que o Mundo é uma extensa, extensíssima manta de retalhos, uma grande e bela manta de retalhos.
A par de quem acredita que nada acontece por acaso está o que entende que a Vida é uma sinfonia a ser dirigida a duas mãos, as suas.
Temos quem domine o Mundo e seja poderoso, tendo mesmo o papel importante de distribuir os milhões e já ao lado está quem só lhe compete servir, e que serve com uma enorme alegria.
Há ainda o Homem que é tecido por uma série de convenções, das mais comezinhas às mais sofisticadas, e aquele outro que é, sempre, um desalinhado, o que inspira o improvável e expira a diferença.
Lado a lado temos a sofisticação do aprumo e a vertigem do que é sempre novo.
Essa é, decerto, a grande impressão digital de cada Homem - uma diversa luz no olhar que projecta no Mundo, em tudo o que vê, a Vida que vai dentro de si.
E são esses olhares tão desiguais que vão pintando o Mundo e a Vida, a Vida de todos nós, de forma tal que parecemos todos coloridos com as dezenas de cores daquelas caixas enormes de lápis feéricos que as crianças deliram receber.
Mas se a beleza é sempre ser diverso, unico, pois é o transforma o Mundo nesta singular obra de arte, algo acontece quando estes olhares se cruzam.
Um milagre acontece, diria mesmo: ambos sabem sorrir, rir até; conhecem os poemas mais anónimos, que lhes estão inscritos na alma e para eles as pedras preciosas são aquelas que o mar deposita naquela orla, naquele pedaço que é o ventre mais sagrado de cada um dos seus Mundos.
Sabem até desatrapalharem-se com a sofisticação de um e a vertigem do outro, o poder de um desembainha-se perante a humildade do outro e o maestro da Vida começa a escorregar da improvavel causa das coisas.
É que, afinal, eles descobrem que não podendo ser tão diferentes, não podiam ser mais iguais: são Homens, têm o pulsar da Vida no seu coração, vibra-lhes o mesmo som do infinito.
Razão porque acabam por perceber que aquela é apenas uma flor.
Mas é a flor.
Seus Olhos
Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.
Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garrett
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Pela luz dos seus olhos
Sou da horde das que opina que as verdadeiras revoluções são as que rugem em silêncio: são os olhares, as palavras mansas, os gestos pequeninos que transformam o Mundo.
As ferramentas da revolução são, nessa medida, a arte e as pessoas.
Nada, quase, do que tenho.
Quando Deus, o meu Deus, distribuiu os talentos não me quis presentear com a faculdade de tocar o Mundo pela arte: ainda hoje desabafava, sempre com aquele travo de encolher de ombros, como lamentava não poder correr o Mundo a cantar, a fazer vibrar pelo toque da musica no coração, quem me escutasse, tal como o faz prodigiosamente Mirusia Louwerse, por exemplo.
Tento honrar a arte sendo obediente aos seus desígnios: amando-a, deixando-me tocar, vibrando com ela, deixando que me transforme em alguém melhor porque me adoça o coração.
Como ao Amor!
Já quanto às pessoas...
Foram-me, apenas, entregues duas!
Como lamento, pela escassez.
Prodigioso seria caminhar pelo mundo com uma multidão de pequenas cabeças. Um sonho!
Sabendo que apenas eu sua mãe - visto que eles nunca serão meus - sei que é meu mister mostrar-lhe todas as coisas, como se elas se pudessem exibir.
Sim, exibir-lhe todas as coisas, tornando-os seus intérpretes; jamais lhes puderei dizer a Vida é isto, o Mundo é aquilo, o Homem é assim, já Deus é aquele. Nunca!
Cabe-me mostrar-lhes a face alva de todas as coisas, projectar luz, apenas; apenas isso.
Como que a exibir um filme, pedindo a sua atenção, para que possam vê-lo com os seus proprios olhos. Os unicos que lhes poderão ensinar a sua verdade.
Ao longo da mirada, na mescla do que são eles com aquilo que são todas as coisas, o Mundo é já diferente, a Vida já está transformada, o Homem ficou necessariamente diferente e Deus, Deus está muito, muito mais rico: afinal já se plasmou em duas criaturas absolutamente maravilhosas, é um barro muito mais abençoado.
A tal revolução!
Pela luz dos seus olhos já tudo é diverso.
Eu sou diferente: aprendi, como nunca antes - ele doou-me o Amor e ela ofereceu-me asas para o Coração.
E com eles, nessa luz, ficará para sempre a marca do meu perpetuo.
Sê
Se não puderes ser um pinheiro no topo da colina,
Sê um arbusto no vale - mas Sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma arvore.
Se não puderes ser um ramo, Sê um pouco de relva
E dá alegris a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda.
Se não puderes ser sol, Sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas Sê melhor do que quer que sejas.
Douglas Malloch
As ferramentas da revolução são, nessa medida, a arte e as pessoas.
Nada, quase, do que tenho.
Quando Deus, o meu Deus, distribuiu os talentos não me quis presentear com a faculdade de tocar o Mundo pela arte: ainda hoje desabafava, sempre com aquele travo de encolher de ombros, como lamentava não poder correr o Mundo a cantar, a fazer vibrar pelo toque da musica no coração, quem me escutasse, tal como o faz prodigiosamente Mirusia Louwerse, por exemplo.
Tento honrar a arte sendo obediente aos seus desígnios: amando-a, deixando-me tocar, vibrando com ela, deixando que me transforme em alguém melhor porque me adoça o coração.
Como ao Amor!
Já quanto às pessoas...
Foram-me, apenas, entregues duas!
Como lamento, pela escassez.
Prodigioso seria caminhar pelo mundo com uma multidão de pequenas cabeças. Um sonho!
Sabendo que apenas eu sua mãe - visto que eles nunca serão meus - sei que é meu mister mostrar-lhe todas as coisas, como se elas se pudessem exibir.
Sim, exibir-lhe todas as coisas, tornando-os seus intérpretes; jamais lhes puderei dizer a Vida é isto, o Mundo é aquilo, o Homem é assim, já Deus é aquele. Nunca!
Cabe-me mostrar-lhes a face alva de todas as coisas, projectar luz, apenas; apenas isso.
Como que a exibir um filme, pedindo a sua atenção, para que possam vê-lo com os seus proprios olhos. Os unicos que lhes poderão ensinar a sua verdade.
Ao longo da mirada, na mescla do que são eles com aquilo que são todas as coisas, o Mundo é já diferente, a Vida já está transformada, o Homem ficou necessariamente diferente e Deus, Deus está muito, muito mais rico: afinal já se plasmou em duas criaturas absolutamente maravilhosas, é um barro muito mais abençoado.
A tal revolução!
Pela luz dos seus olhos já tudo é diverso.
Eu sou diferente: aprendi, como nunca antes - ele doou-me o Amor e ela ofereceu-me asas para o Coração.
E com eles, nessa luz, ficará para sempre a marca do meu perpetuo.
Sê
Se não puderes ser um pinheiro no topo da colina,
Sê um arbusto no vale - mas Sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma arvore.
Se não puderes ser um ramo, Sê um pouco de relva
E dá alegris a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda.
Se não puderes ser sol, Sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas Sê melhor do que quer que sejas.
Douglas Malloch
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O Sorriso
O Homem Novo ou o Novo Homem, conforme lhes parecer melhor, é, por via de regra, um Homem virado ao sizudo.
Das regras constantes dos códigos de conduta parece que foi feito constar que, para melhor compustura, se exige a ausência de todo e qualquer sinal da sua humanidade: deve ser-se circunspecto e a mostrar alguma emoção deverá ser de sucesso, fartura e, até, de algum excesso (seja do que for!!!).
Há mesmo gente para quem a perda de alguma coloquialidade é, até, ponto de honra, como que se a frieza e até um certo desafio insolente - não o boémio e desconcertante que sempre nos faz acrescentar algo mais ao saber - como que a querer mostrar aos outros que nada valem se medidos a seu lado.
Chega-se, até, a baixar dos parâmetros exigidos pela boa educação: não se olha quem se cumprimenta, não se chega atempadamente e a horas, não há o cuidado em ser amável para quem está em relação connosco. Nem que isso signifique não dizer "bom dia" a quem divide as mesmas tarefas que nós ou até não olhar nos olhos ao filho a quem se ralha.
O Homem Novo, aquele que tem quase todos os objectos que o fascinam, desde a panóplia infindável dos "gadgets" electrónicos até ao carro da marca mais vista e reconhecida, de preferência com a cor dominante - para que todos o possam ver bem - passando pelos objectos pessoais que possam carrear a atenção da mole de pessoas que o cercam, é, por via de regra, um Homem desprendido da humanidade do outro.
Esqueceu-se de que a sua beleza não se compraz nos objectos que traz consigo, que as virtudes não se medem pelos dígitos da sua conta bancária nem mesmo que a austeridade, a distância que coloca no olhar que desprende para quem o cerca não o tornam mais importante.
Parece mesmo que o Homem se esqueceu do que é ser Homem; o que quer mesmo é ser notado pelos outros Homens: para trás parece ter ficado a "era do reconhecimento" em que saudavelmente todos necessitávamos de que quem estivesse a nosso lado mostrasse que nos olhava e que gostava do que via, para um momento em que importante, importante mesmo, é ser uma montra do Mundo... mirado por todos, ainda que ninguém nos veja!
Cultivar este sucesso anónimo faz mal ao Homem, tão-só por ser contrário à sua natureza, à sua real necessidade.
O sorriso: tanto dá-lo como recebê-lo, é das maiores necessidades do Homem - o Homem precisa que o afago dos outros Homens lhe alimente a Alma, tal como precisa de ar para não abafar.
O sorriso é uma arma de paz, uma dádiva de encontro, uma flor que sempre podemos trazer a enfeitar o rosto.
Faz-nos, também, sorrir: é contagioso.
E esqueçam os códigos de conduta que vos ensinaram, criem outros: é obrigatorio sorrir, façam deles constar.
E se dúvidas ainda vos restarem, inquiram-se - quem vou querer encontrar pela manhã: um homem que mal se olhou ao espelho porque já se esqueceu de si e dos outros, pois assumiu como certo que uma cara fechada o torna respeitável ou antes uma mulher linda, com um vestido que a mostra como tal, com um sorriso afável no rosto porque sabe que a candura salva o Mundo?
Sorriso Audivel das Folhas
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Em surdina
A beleza inibria os Homens!
Eu sou daquelas que marca na sua agenda um tempo para a beleza. Tão-só porque não vivo sem ela.
Vi, mirei, mergulhei e fui tocada pela beleza e estou, por isso, embriagada de tanta, tanta beleza.
Como sempre descobri, pela enésima vez, um outro pormenor, mais um traço, um novo brilho ou mesmo uma atmosfera que não tinha notado: afinal tinha outros olhos, respirava outro ar e a minha Alma ainda não tinha vivido o suficiente para os descobrir.
Traga o sol que me banhou naquela praça magnifica. A mim e aos meus amores.
O calor que me transportou à memória do futuro, o futuro da paz, do riso e das aventuras, das quais sou a timoneira mais louca possível.
Tenho na segunda camada da pele, porque me tatuam, os afagos e os beijos do meu Miguel, debaixo daquele sol que sempre me aquece e nunca, mas nunca me abrasa. E os abraços cumplices do meu menino, que tinha de esborratar-me com a sua alegria quando o coração estava prestes a explodir.
No coração está impresso o olhar de Maria, a Maria de El Grego na "Anunciação", o mesmo olhar que, desde há muitos, muitos anos, me faz estremecer e me humedece o olhar, sempre que a olho nos olhos. O olhar alvo, calmo e absolutamente disponível. O de maior doacção!
Faz-me tremer esta Maria pela sua paz em face da revolução que se lhe adivinhava; saem-me as lágrimas dos olhos perante a sua indiferença ao medo; fico extasiada pela sua dádiva plena.
Nunca vi, em qualquer outro produto criado pelo Homem, um sinal tão contudente, tal força de liberdade.
E recolho o saber, que há muito me ensinaram.
Tudo o que é verdadeiramente importante é nos dito em surdina.
Tudo o que queria dizer a mim mesma disse-o naquela praça, debaixo daquele sol pungente, em silêncio - porque a beleza me cortou a palavra.
Aquilo que de melhor os meus amores me ofereceram foi-o em silêncio: afagos, beijos e abraços; de amor, de carinho e de uma cumplicidade ímpar.
Maria, mais uma vez, deixou-me estremecida em silêncio: adivinhando, sabendo mesmo, as atribulações que se aproximavam, conhecendo o seu tempo, sabendo a comunidade em que vivia, nada temeu, para tudo se mostrou pronta e sempre, sempre, com uma serenidade única.
É, por isso, que, como Ela me ensinou mais uma vez, sempre que o vento sopra em meu redor, estou muito atenta ao que me diz: as suas trovas são mesmo o grande sopro da Vida.
Um verdadeiro escultor.
Eu sou daquelas que marca na sua agenda um tempo para a beleza. Tão-só porque não vivo sem ela.
Vi, mirei, mergulhei e fui tocada pela beleza e estou, por isso, embriagada de tanta, tanta beleza.
Como sempre descobri, pela enésima vez, um outro pormenor, mais um traço, um novo brilho ou mesmo uma atmosfera que não tinha notado: afinal tinha outros olhos, respirava outro ar e a minha Alma ainda não tinha vivido o suficiente para os descobrir.
Traga o sol que me banhou naquela praça magnifica. A mim e aos meus amores.
O calor que me transportou à memória do futuro, o futuro da paz, do riso e das aventuras, das quais sou a timoneira mais louca possível.
Tenho na segunda camada da pele, porque me tatuam, os afagos e os beijos do meu Miguel, debaixo daquele sol que sempre me aquece e nunca, mas nunca me abrasa. E os abraços cumplices do meu menino, que tinha de esborratar-me com a sua alegria quando o coração estava prestes a explodir.
No coração está impresso o olhar de Maria, a Maria de El Grego na "Anunciação", o mesmo olhar que, desde há muitos, muitos anos, me faz estremecer e me humedece o olhar, sempre que a olho nos olhos. O olhar alvo, calmo e absolutamente disponível. O de maior doacção!
Faz-me tremer esta Maria pela sua paz em face da revolução que se lhe adivinhava; saem-me as lágrimas dos olhos perante a sua indiferença ao medo; fico extasiada pela sua dádiva plena.
Nunca vi, em qualquer outro produto criado pelo Homem, um sinal tão contudente, tal força de liberdade.
E recolho o saber, que há muito me ensinaram.
Tudo o que é verdadeiramente importante é nos dito em surdina.
Tudo o que queria dizer a mim mesma disse-o naquela praça, debaixo daquele sol pungente, em silêncio - porque a beleza me cortou a palavra.
Aquilo que de melhor os meus amores me ofereceram foi-o em silêncio: afagos, beijos e abraços; de amor, de carinho e de uma cumplicidade ímpar.
Maria, mais uma vez, deixou-me estremecida em silêncio: adivinhando, sabendo mesmo, as atribulações que se aproximavam, conhecendo o seu tempo, sabendo a comunidade em que vivia, nada temeu, para tudo se mostrou pronta e sempre, sempre, com uma serenidade única.
É, por isso, que, como Ela me ensinou mais uma vez, sempre que o vento sopra em meu redor, estou muito atenta ao que me diz: as suas trovas são mesmo o grande sopro da Vida.
Um verdadeiro escultor.
sábado, 25 de setembro de 2010
Muitas vezes longe, nunca com distancia
Estar ao longe, viver ao longe é um modo de vida que, há muito tempo, aprendi.
Não se escolhe, nem se aprende, sequer mesmo se chega a saber. Mas é natural como estar perto.
Houve um tempo em que fui menina, em que segui a rota de me fazer mulher, e até aí vivi uma vida cómoda. Maneirinha, como diriam aqueles velhos sábios a quem fui ouvindo conversas ao fim da tarde.
Nessa altura a lonjura era a marca da aventura, das férias e das brincadeiras.
Mas cresci.
Os olhos abriram-se ao Mundo, a Alma ficou afoita e a vontade criou mesmo asas: foi o Tempo de partir, de deixar ao longe os meus esteios.
Com eles e das primeiras centenas de quilómetros que percorri fica a lembrança de que nunca é o espaço que cria a distância porque nunca deixámos de ser uns nos outros.
Depois quando veio a Vida desafiar-me, ousando-me ensinar que nunca vivesse com a distância, parti mais uma vez: partimos os dois, eu e ele, o Pedro.
Mais tarde, quando a Vida me escolheu dizer "nunca te distancies de ti", ficámos os três: eu, o Pedro e a Maria.
Mais um companheiro se juntou, agora, a nós nesta viagem.
Hoje, neste dia, vivo o longe, ainda que sem fazer o "pleno" que, tantas e tantas vezes, alcancei: eu em Madrid, a meu lado, como companheiro ímpar, o meu menino; lá, bem longe, algures por perto do Porto, está ela, a minha menina; um pouco mais perto, o meu pai, pela Guarda; ainda mais longe, muito mais, a minha mãe, por Lisboa.
Mas, como sempre, nunca existe distância!
Somos os acrobatas do Tempo, "globetrotters" do coração, os viajantes da mochila sempre pronta e de telefone em riste para o próximo contacto e sempre estamos juntos: em Londres fui despertada pelo meu pai que estava na Guarda, de casa já cantei um embalo para a minha menina que estava no Gêres, chegam-me diagnósticos de Lisboa e até já os parabéns cantámos ao avô Diogo do Alentejo para as Beiras.
Todos conhecemos os rebuçados da "La Violeta" da Plaza de Canalejas, de Madrid ou o "pan d'olive" da Avenue De Champs Eliseés, au Paris, mas também o sabor das uvas morangueiras e dos figos mais suculentos, assim como o perfume doce que inunda a pele de cada um de nós. Especialmente este.
Muitas vezes longe, nunca com distância é a lição que quisemos recolher desta jornada: sabemos que partir se impõe tantas vezes, que viver ao longe é, também, sinónimo de muita alegria e que nunca ficamos sozinhos, ainda mesmo quando nenhum de nós está por perto.
Há muito, muito tempo alguém me ensinou que quando o Amor com açúcar, a saudade, nos assola só há um modo de o saciar: olhar a estrela mais brilhante e saber que ela brilha mais pelo Amor de todos os que nos amam.
Pendurada, agora, no parapeito da janela que se assoma vejo uma estrela incandescente: é o teu Amor Maria, e o seu, meu pai, mais o seu, mãe.
Não se escolhe, nem se aprende, sequer mesmo se chega a saber. Mas é natural como estar perto.
Houve um tempo em que fui menina, em que segui a rota de me fazer mulher, e até aí vivi uma vida cómoda. Maneirinha, como diriam aqueles velhos sábios a quem fui ouvindo conversas ao fim da tarde.
Nessa altura a lonjura era a marca da aventura, das férias e das brincadeiras.
Mas cresci.
Os olhos abriram-se ao Mundo, a Alma ficou afoita e a vontade criou mesmo asas: foi o Tempo de partir, de deixar ao longe os meus esteios.
Com eles e das primeiras centenas de quilómetros que percorri fica a lembrança de que nunca é o espaço que cria a distância porque nunca deixámos de ser uns nos outros.
Depois quando veio a Vida desafiar-me, ousando-me ensinar que nunca vivesse com a distância, parti mais uma vez: partimos os dois, eu e ele, o Pedro.
Mais tarde, quando a Vida me escolheu dizer "nunca te distancies de ti", ficámos os três: eu, o Pedro e a Maria.
Mais um companheiro se juntou, agora, a nós nesta viagem.
Hoje, neste dia, vivo o longe, ainda que sem fazer o "pleno" que, tantas e tantas vezes, alcancei: eu em Madrid, a meu lado, como companheiro ímpar, o meu menino; lá, bem longe, algures por perto do Porto, está ela, a minha menina; um pouco mais perto, o meu pai, pela Guarda; ainda mais longe, muito mais, a minha mãe, por Lisboa.
Mas, como sempre, nunca existe distância!
Somos os acrobatas do Tempo, "globetrotters" do coração, os viajantes da mochila sempre pronta e de telefone em riste para o próximo contacto e sempre estamos juntos: em Londres fui despertada pelo meu pai que estava na Guarda, de casa já cantei um embalo para a minha menina que estava no Gêres, chegam-me diagnósticos de Lisboa e até já os parabéns cantámos ao avô Diogo do Alentejo para as Beiras.
Todos conhecemos os rebuçados da "La Violeta" da Plaza de Canalejas, de Madrid ou o "pan d'olive" da Avenue De Champs Eliseés, au Paris, mas também o sabor das uvas morangueiras e dos figos mais suculentos, assim como o perfume doce que inunda a pele de cada um de nós. Especialmente este.
Muitas vezes longe, nunca com distância é a lição que quisemos recolher desta jornada: sabemos que partir se impõe tantas vezes, que viver ao longe é, também, sinónimo de muita alegria e que nunca ficamos sozinhos, ainda mesmo quando nenhum de nós está por perto.
Há muito, muito tempo alguém me ensinou que quando o Amor com açúcar, a saudade, nos assola só há um modo de o saciar: olhar a estrela mais brilhante e saber que ela brilha mais pelo Amor de todos os que nos amam.
Pendurada, agora, no parapeito da janela que se assoma vejo uma estrela incandescente: é o teu Amor Maria, e o seu, meu pai, mais o seu, mãe.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Outro Berço
De cada vez que sou confrontada com a Beleza, com tanta Beleza, daquela que fere mesmo os olhos pergunto-me: "E eu?".
Questiono-me sempre, logo que a pele se arrepia e que as lágrimas humedecem o olhar, onde estava eu quando o Criador distribuiu aqueles dons?
Cores, traços, luzes, magia: é tudo isso e mais, muito mais, que aquela pintura - vida congelada em formato reduzido - me dá!
Entro viva, resplandescente e saio sempre contemplativa, em silêncio; atrevidamente, diria mesmo, que mais sábia (pouco, muito pouco, claro!).
El Greco ensina-me a gradiosidade e faz-me sentir que mesmo humanos, sempre humanos, podemos aspirar a ser um pouco mais. Como ele foi.
Rubens diz-me que a beleza é eterna, mesmo quando nem sempre é aquilo que foi, quando nem sempre é aquilo que parece ser. Mas beleza é sempre beleza.
Velasquez é a fotografia doce da realidade, como aquela que eu queria fazer todos os dias: para todos, os que amo e, sempre, tentando, mesmo para todos os outros.
Aqui recordo tudo o que tenho, imenso, e penso em todos aqueles, um a um, muitos, a quem amo e penso que sou mesmo a mulher mais feliz do Mundo.
E com um sorriso rasgado, até à Alma, distribuindo alegria, como quem oferece caramelos aos meninos em dia de festa, cumpro aquele que é a mais sagrada das tarefas que Ele me ofereceu: ensinar as minhas gaivotas a voar!
Hoje é ele, o meu menino, um companheiro ímpar de viagem, daqueles que sabe ter a conversa mais cúmplice, comer a andar e até a calar-se quando a fera se aproxima!!!
Mostrar-lhe o outro berço, o Mundo, a grandeza que fica depois do muro do nosso jardim, é meu dever. Exibir-lhe as grandezas, inundar-lhe os olhos de Vida, mostrar-lhe cada desafio, ser só dele e tê-lo só para mim é uma Viagem! A maior de todas, nesta outra!
Quando nos miro, hoje, fica por descobrir o que já nos liga; é já um mistério saber quem cuida de quem; mais, quem é a gaivota que perfila no horizonte?
Sei que o Pedro é o meu filho, mas sei que é ainda um pai, meu amigo e companheiro de todos os momentos. Sei que me ensina a ser generosa, leal e doce a cada momento. E sei que, mais do que qualquer outra pessoa, sabe ouvir o meu silêncio em silêncio.
Questiono-me sempre, logo que a pele se arrepia e que as lágrimas humedecem o olhar, onde estava eu quando o Criador distribuiu aqueles dons?
Cores, traços, luzes, magia: é tudo isso e mais, muito mais, que aquela pintura - vida congelada em formato reduzido - me dá!
Entro viva, resplandescente e saio sempre contemplativa, em silêncio; atrevidamente, diria mesmo, que mais sábia (pouco, muito pouco, claro!).
El Greco ensina-me a gradiosidade e faz-me sentir que mesmo humanos, sempre humanos, podemos aspirar a ser um pouco mais. Como ele foi.
Rubens diz-me que a beleza é eterna, mesmo quando nem sempre é aquilo que foi, quando nem sempre é aquilo que parece ser. Mas beleza é sempre beleza.
Velasquez é a fotografia doce da realidade, como aquela que eu queria fazer todos os dias: para todos, os que amo e, sempre, tentando, mesmo para todos os outros.
Aqui recordo tudo o que tenho, imenso, e penso em todos aqueles, um a um, muitos, a quem amo e penso que sou mesmo a mulher mais feliz do Mundo.
E com um sorriso rasgado, até à Alma, distribuindo alegria, como quem oferece caramelos aos meninos em dia de festa, cumpro aquele que é a mais sagrada das tarefas que Ele me ofereceu: ensinar as minhas gaivotas a voar!
Hoje é ele, o meu menino, um companheiro ímpar de viagem, daqueles que sabe ter a conversa mais cúmplice, comer a andar e até a calar-se quando a fera se aproxima!!!
Mostrar-lhe o outro berço, o Mundo, a grandeza que fica depois do muro do nosso jardim, é meu dever. Exibir-lhe as grandezas, inundar-lhe os olhos de Vida, mostrar-lhe cada desafio, ser só dele e tê-lo só para mim é uma Viagem! A maior de todas, nesta outra!
Quando nos miro, hoje, fica por descobrir o que já nos liga; é já um mistério saber quem cuida de quem; mais, quem é a gaivota que perfila no horizonte?
Sei que o Pedro é o meu filho, mas sei que é ainda um pai, meu amigo e companheiro de todos os momentos. Sei que me ensina a ser generosa, leal e doce a cada momento. E sei que, mais do que qualquer outra pessoa, sabe ouvir o meu silêncio em silêncio.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Amar... Amar ... O Outro, Alguem e Toda a Gente
A arte de amar, a arte do Amor é, quanto a mim, talvez a mais díficil de todas as artes.
Primeiro de tudo porque não se pode aprender, nem que se queira: cada ser vivo é absolutamente diverso do outro; cada ser humano é singular e cada momento não podia ser mais imprevisto - assim nada se poderia trazer de certo, em cada instante, que fosse garantia de êxito, no exercer desta arte.
Além disso, cada Homem é um intérprete próprio do que é o Amor.
Se para uns é receber uma mensagem com uns quantos elogios, já para outros é escalar um monte íngreme a dois, sendo que para outros nada mais é que uma simples troca de fluídos.
Razão porque mais complexo se torna ser um artista do Amor.
Por outro lado resulta sempre, ou quase sempre, num caminho plural: e se já todos sabemos que um já é díficil, mais do que um...
Há, ainda, a teia de relações, de afectos de cada um dos amantes; há muita Vida antes do Amor e, necessariamente, haverá muita Vida depois do Amor.
Poderá, então, parecer que o Amor é um problema?!
Jamais.
É a revolução silenciosa, que nos ensina a viver de novo e nos transporta ao lugar mais recôndito de nós mesmos: leva-nos onde só nós nunca havíamos chegado!
Revela-nos a nós próprios!
Eu que era feliz, muito feliz, agora que amo, nunca mais quero ser feliz sózinha.
Mas o Amor é desafiante: obriga-nos a descobrir, todos os dias, dia-a-dia, como continuar a viver com a mesma energia, com a mesma Luz, com a mesma paz.
E, assim, vivendo o Amor se descobre o segredo da arte de amar, da arte do Amor: só com uma entrega incondicional, afoitos, de braços abertos e acolhendo em nós quem amamos e todos e tudo que é seu Amor também, verdadeiramente amamos.
Amar... Amar ... O outro, alguém, e toda a gente é a verdadeira forma de amar quem amamos: um amor cheio, pleno, inteiro. Sem reservas, sem restrições. Sem tempos e sem medidas.
Amor!
Primeiro de tudo porque não se pode aprender, nem que se queira: cada ser vivo é absolutamente diverso do outro; cada ser humano é singular e cada momento não podia ser mais imprevisto - assim nada se poderia trazer de certo, em cada instante, que fosse garantia de êxito, no exercer desta arte.
Além disso, cada Homem é um intérprete próprio do que é o Amor.
Se para uns é receber uma mensagem com uns quantos elogios, já para outros é escalar um monte íngreme a dois, sendo que para outros nada mais é que uma simples troca de fluídos.
Razão porque mais complexo se torna ser um artista do Amor.
Por outro lado resulta sempre, ou quase sempre, num caminho plural: e se já todos sabemos que um já é díficil, mais do que um...
Há, ainda, a teia de relações, de afectos de cada um dos amantes; há muita Vida antes do Amor e, necessariamente, haverá muita Vida depois do Amor.
Poderá, então, parecer que o Amor é um problema?!
Jamais.
É a revolução silenciosa, que nos ensina a viver de novo e nos transporta ao lugar mais recôndito de nós mesmos: leva-nos onde só nós nunca havíamos chegado!
Revela-nos a nós próprios!
Eu que era feliz, muito feliz, agora que amo, nunca mais quero ser feliz sózinha.
Mas o Amor é desafiante: obriga-nos a descobrir, todos os dias, dia-a-dia, como continuar a viver com a mesma energia, com a mesma Luz, com a mesma paz.
E, assim, vivendo o Amor se descobre o segredo da arte de amar, da arte do Amor: só com uma entrega incondicional, afoitos, de braços abertos e acolhendo em nós quem amamos e todos e tudo que é seu Amor também, verdadeiramente amamos.
Amar... Amar ... O outro, alguém, e toda a gente é a verdadeira forma de amar quem amamos: um amor cheio, pleno, inteiro. Sem reservas, sem restrições. Sem tempos e sem medidas.
Amor!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Afinal há tantos Teerão
Nunca gostei de heróis.
Precisamente porque são heróis: são idolatrados e, por isso, as mais das vezes os seus feitos são mais fruto dum imaginário que precisa de os compôr.
Pois afinal o que seria deste Mundo sem heróis?
E um herói é, geralmente, para além de publicamente casto, com feitos de memória longa, um Homem que obedeceu aos cânones da sociedade e da comunidade onde viveu e fez perpetuar a sua imagem de importante, imponente e poderoso. Antes de mais, porque assim se tinha para si mesmo!
E foi herói por isso mesmo: a sociedade quis embandeirá-lo como exemplo.
Muito poucos são os "anti-heróis" que se perpetuaram na nossa História: lembro-me talvez de Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e de Luther King, mas estes porque o óbvio não precisa de marketing!
Só por isso! Senão teriam sido, como foi tentado, a passos, que a sua imagem se quedasse.
Do lado oposto ao dos heróis estão os outros.
Eu sou uma outra!
Por isso sei, com toda a benção que isso me dá: não sou importante, nunca fui imponente e poder nenhum tenho.
Mais, tenho a felicidade de saber que os meus feitos se perpetuarão, se calhar, nem mesmo até ao fim da minha vida ou, na melhor das hipóteses, serão falados pelos meus filhos e, de forma enevoada, recordados pelos meus netos, se os houver.
Sei, ainda, que obedeço a muito pouco dos tais cânones que esta sociedade moderna me quer impôr: não gosto das "montras do Mundo", sou alérgica a "poderosos", a sociedade de consumo maça-me, não sigo a rota convencional das "tias" e sou demasiado afrontada para estar em sítios poluidos, como são aqueles onde estão pessoas que não estimo, lugares que me oprimam ou onde não se respeitem a educação, a simplicidade e a alegria que uso.
Sou uma viajante nata na arte de bem-viver!
E essa, sei hoje mais do que nunca, essa é a maior ofensa que em qualquer sociedade se pode cometer aos tão queridos cânones:
Sou livre, impondo-me ser cada vez mais livre, a cada dia que passa;
Sou digna, impondo-me sê-lo mais e mais, a cada momento;
Sou alegre, impondo-me ser estonteantemente alegre;
Sou feliz, impondo-me que a felicidade germine em cada um dos meus actos.
Por isso já desafie, muitas vezes as regras. Dizem eles!
Por isso não vivi uma Vida costumeira, cómoda, segura: daquelas de postal ilustrado com brilho garantido!
Quis sempre, mas sempre, voar mais e mais para encontrar o meu lugar na Vida; quis conhecer-me mais para poder ensinar a quem de mim nasceu como se voa e que se deve voar por prazer e com alegria; quis rasgar horizontes para descobrir outras tonalidades da Luz, afinal assim podia mostrá-la aos outros e contagiá-los com a minha felicidade; quis amar, amar sempre a tudo e a todos como o faço a mim.
E como pequei. Dizem eles!
Ontem, sem aviso, também acabei por descobrir que afinal há tantos Teerão: não é só lá que a religião, lida de forma arrevesada, mata nem fere!
Em Portugal, também a Igreja Catolica, tenta ferir de morte!
Sou católica, sou praticante - talvez das politicamente incorrectas que tenta, muitas vezes sem conseguir, amar os outros como a si mesma, tenho todos os sacramentos (menos o da Ordenação e o da Extrema Unção), educo os meus filhos segundo os príncipios da Santa Madre Igreja, mas, sobretudo, tento colocar Deus em cada um dos momentos da minha Vida.
Não me martirizando, não usando de múltiplas rezas e orações, não assistindo a todas as missas: mas mostrando-O a quem passa na minha Vida, dando-Lhe o pouco que faço, entregando-Me nas suas mãos, aceitando tudo o que Ele me oferece.
Sempre.
Com um sorriso.
Mas isso não basta. Dizem eles!
Não obedeço aos benditos cânones: sou divorciada e por isso sou banida da confiança da Santa Madre Igreja para poder apadrinhar uma crismanda!
Quando será o dia em que encerrarão as portas da Igreja do meu Deus por eu não ser digna de lá entrar?
Precisamente porque são heróis: são idolatrados e, por isso, as mais das vezes os seus feitos são mais fruto dum imaginário que precisa de os compôr.
Pois afinal o que seria deste Mundo sem heróis?
E um herói é, geralmente, para além de publicamente casto, com feitos de memória longa, um Homem que obedeceu aos cânones da sociedade e da comunidade onde viveu e fez perpetuar a sua imagem de importante, imponente e poderoso. Antes de mais, porque assim se tinha para si mesmo!
E foi herói por isso mesmo: a sociedade quis embandeirá-lo como exemplo.
Muito poucos são os "anti-heróis" que se perpetuaram na nossa História: lembro-me talvez de Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e de Luther King, mas estes porque o óbvio não precisa de marketing!
Só por isso! Senão teriam sido, como foi tentado, a passos, que a sua imagem se quedasse.
Do lado oposto ao dos heróis estão os outros.
Eu sou uma outra!
Por isso sei, com toda a benção que isso me dá: não sou importante, nunca fui imponente e poder nenhum tenho.
Mais, tenho a felicidade de saber que os meus feitos se perpetuarão, se calhar, nem mesmo até ao fim da minha vida ou, na melhor das hipóteses, serão falados pelos meus filhos e, de forma enevoada, recordados pelos meus netos, se os houver.
Sei, ainda, que obedeço a muito pouco dos tais cânones que esta sociedade moderna me quer impôr: não gosto das "montras do Mundo", sou alérgica a "poderosos", a sociedade de consumo maça-me, não sigo a rota convencional das "tias" e sou demasiado afrontada para estar em sítios poluidos, como são aqueles onde estão pessoas que não estimo, lugares que me oprimam ou onde não se respeitem a educação, a simplicidade e a alegria que uso.
Sou uma viajante nata na arte de bem-viver!
E essa, sei hoje mais do que nunca, essa é a maior ofensa que em qualquer sociedade se pode cometer aos tão queridos cânones:
Sou livre, impondo-me ser cada vez mais livre, a cada dia que passa;
Sou digna, impondo-me sê-lo mais e mais, a cada momento;
Sou alegre, impondo-me ser estonteantemente alegre;
Sou feliz, impondo-me que a felicidade germine em cada um dos meus actos.
Por isso já desafie, muitas vezes as regras. Dizem eles!
Por isso não vivi uma Vida costumeira, cómoda, segura: daquelas de postal ilustrado com brilho garantido!
Quis sempre, mas sempre, voar mais e mais para encontrar o meu lugar na Vida; quis conhecer-me mais para poder ensinar a quem de mim nasceu como se voa e que se deve voar por prazer e com alegria; quis rasgar horizontes para descobrir outras tonalidades da Luz, afinal assim podia mostrá-la aos outros e contagiá-los com a minha felicidade; quis amar, amar sempre a tudo e a todos como o faço a mim.
E como pequei. Dizem eles!
Ontem, sem aviso, também acabei por descobrir que afinal há tantos Teerão: não é só lá que a religião, lida de forma arrevesada, mata nem fere!
Em Portugal, também a Igreja Catolica, tenta ferir de morte!
Sou católica, sou praticante - talvez das politicamente incorrectas que tenta, muitas vezes sem conseguir, amar os outros como a si mesma, tenho todos os sacramentos (menos o da Ordenação e o da Extrema Unção), educo os meus filhos segundo os príncipios da Santa Madre Igreja, mas, sobretudo, tento colocar Deus em cada um dos momentos da minha Vida.
Não me martirizando, não usando de múltiplas rezas e orações, não assistindo a todas as missas: mas mostrando-O a quem passa na minha Vida, dando-Lhe o pouco que faço, entregando-Me nas suas mãos, aceitando tudo o que Ele me oferece.
Sempre.
Com um sorriso.
Mas isso não basta. Dizem eles!
Não obedeço aos benditos cânones: sou divorciada e por isso sou banida da confiança da Santa Madre Igreja para poder apadrinhar uma crismanda!
Quando será o dia em que encerrarão as portas da Igreja do meu Deus por eu não ser digna de lá entrar?
domingo, 19 de setembro de 2010
Ser Ponte
Nestes tempos modernos, moderníssimos, da alta tecnologia, das máquinas, dos fios e até das ondas sem fio há, como nunca, um ser só.
Não há nada mais duro do que a suavidade da indiferença, dizia há muito Juan Montalvo, sem que pudesse adivinhar que haveria, um dia, Homens sozinhos quando o Mundo é tão vasto.
Há quem clame por ter um amigo, um amor, até mesmo só alguém a quem dizer "bom dia, eu sou ...": há desespero na solidão de muitos Homens.
E não são apenas os "velhos", como é habito por agora chamar àqueles que têm a sabedoria da vida vivida; os que se deixaram de ouvir, tão-só porque é politicamente correcto entender que é na ultima novidade que está o "glamour", a "sagesse".
Mesmo daqueles que são, ainda, aprendizes muitos são, também, os que vão lançando gritos mudos, sufocantes; também muitos deles vivem numa triste solidão acompanhada.
Num tempo em que a palavra de ordem é a reciclagem, o Homem esqueceu-se de se reciclar!
É certo que quase ninguém tem já o privilégio de viver numa familia alargada, todos sabemos que as distâncias são cada vez maiores, cada vez é mais raro uma criança viver na mesma casa com os seus pais juntos, o Tempo parece ter encolhido! E mais, e mais e mais...
E a inteligencia do Homem?
E a sua vontade?
E o seu coração?
Onde estão todos eles?
Porque não soube o Homem reinventar-se nos afectos?
Porque não tem o Homem a coragem de ser ponte? Porque não tem coragem de amar, desprender-se pelo Mundo, pelos Homens, pela Vida, sendo de doacção em doacção?
É que todos, mas todos mesmo, temos o dever de ser elo: de olhar quem está junto de nós, aceitar a sua humanidade nem que não a entenda e acolhê-lo, ligando-o a si e a quem está junto de si.
Olhar, ouvir, cheirar, tocar, partilhar as palavras e os gestos são actos tão brutalmente necessários ao Homem como respirar; pois só dessa forma se mantém vivo.
Ser ponte, ser amurada, ser cais é ter a alegria de ser sempre ponto de passagem e, quase, quase sempre, ponto de paragem.
E, mirando-nos de longe, somos nós. Mas já não o somos só.
Somos nós e todos os outros: a manta de retalhos de pedras preciosas que a Vida, afinal, só a nós quis oferecer.
Não há nada mais duro do que a suavidade da indiferença, dizia há muito Juan Montalvo, sem que pudesse adivinhar que haveria, um dia, Homens sozinhos quando o Mundo é tão vasto.
Há quem clame por ter um amigo, um amor, até mesmo só alguém a quem dizer "bom dia, eu sou ...": há desespero na solidão de muitos Homens.
E não são apenas os "velhos", como é habito por agora chamar àqueles que têm a sabedoria da vida vivida; os que se deixaram de ouvir, tão-só porque é politicamente correcto entender que é na ultima novidade que está o "glamour", a "sagesse".
Mesmo daqueles que são, ainda, aprendizes muitos são, também, os que vão lançando gritos mudos, sufocantes; também muitos deles vivem numa triste solidão acompanhada.
Num tempo em que a palavra de ordem é a reciclagem, o Homem esqueceu-se de se reciclar!
É certo que quase ninguém tem já o privilégio de viver numa familia alargada, todos sabemos que as distâncias são cada vez maiores, cada vez é mais raro uma criança viver na mesma casa com os seus pais juntos, o Tempo parece ter encolhido! E mais, e mais e mais...
E a inteligencia do Homem?
E a sua vontade?
E o seu coração?
Onde estão todos eles?
Porque não soube o Homem reinventar-se nos afectos?
Porque não tem o Homem a coragem de ser ponte? Porque não tem coragem de amar, desprender-se pelo Mundo, pelos Homens, pela Vida, sendo de doacção em doacção?
É que todos, mas todos mesmo, temos o dever de ser elo: de olhar quem está junto de nós, aceitar a sua humanidade nem que não a entenda e acolhê-lo, ligando-o a si e a quem está junto de si.
Olhar, ouvir, cheirar, tocar, partilhar as palavras e os gestos são actos tão brutalmente necessários ao Homem como respirar; pois só dessa forma se mantém vivo.
Ser ponte, ser amurada, ser cais é ter a alegria de ser sempre ponto de passagem e, quase, quase sempre, ponto de paragem.
E, mirando-nos de longe, somos nós. Mas já não o somos só.
Somos nós e todos os outros: a manta de retalhos de pedras preciosas que a Vida, afinal, só a nós quis oferecer.
sábado, 18 de setembro de 2010
Ser Cumplice
Há dias em que a Vida se revela de forma absoluta.
Umas vezes são dias de realizações magníficas, que se perpetuam na memória. Ou, mesmo, nas memórias.
Já outras vezes são dias de descoberta.
De uma descoberta tal que, também por isso, para além de ficarem gravados em nós como tatuagem, nos tornam diferentes.
Há sempre um dia em que, apesar da nossa força, daquela faísca de universo que habita em nós, não queremos ser fortes. Ou não podemos.
É o dia!
É o dia em que os atavios caem, os passos são menos pungentes e a luz do olhar desvanece.
Sim, é certo, podíamos seguir, mais lentos, passo-a-passo, em "slow motion", e continuar nós próprios a jornada pelo Caminho.
Mas não o queremos: aceitamos que não somos o esteio e declaramos que estamos frágeis!
São dias que, mirando de perto, parecem doídos, até de algum susto.
Mas, ao longe, vendo a sua perspectiva, descobrimos a enorme riqueza que trazem a quem somos, preparando-nos para novos trilhos do Caminho.
Oferecem-nos uma desnudada humildade, pois só na fragilidade pura sabemos realmente como somos tão pequenos; dão-nos a apreciar a verdadeira medida do Tempo, pois que só quando ele é mais pesado sentimos, também, como podemos saboreá-lo devagar; mostra-nos como o Mundo gira, gira e torna a girar mesmo quando o nosso passo o não acompanha e, por isso a nossa medida de pequena, pequenissima peça de puzzle do Universo, razão por que descobrimos, ainda muito mais, como somos absolutamente livres.
Mas a grande, a enormíssima oferenda, que a fragilidade nos traz é o Amor.
O Amor de quem nos ama.
Nesses dias esse Amor tem um brilho ofuscante e como manto cobre-nos; protege-nos como escudo e caminha ao nosso lado, levando-nos "sempre ao colo".
É um rasto de beleza que o universo liberta e com que nos compraz e a que nós aprendemos a chamar cumplicidade.
Ser cumplice é lamber as lágrimas do outro, sempre, sempre a sorrir, fazendo-lhe crer que "tudo é foi, nada acontece" porque "tu és uma força da natureza!".
"É ser alma, e sangue e força em mim".
"Tudo é foi, nada acontece". Eugénio de Andrade
"É ser alma, e sangue e força em mim". Florbela Espanca
Umas vezes são dias de realizações magníficas, que se perpetuam na memória. Ou, mesmo, nas memórias.
Já outras vezes são dias de descoberta.
De uma descoberta tal que, também por isso, para além de ficarem gravados em nós como tatuagem, nos tornam diferentes.
Há sempre um dia em que, apesar da nossa força, daquela faísca de universo que habita em nós, não queremos ser fortes. Ou não podemos.
É o dia!
É o dia em que os atavios caem, os passos são menos pungentes e a luz do olhar desvanece.
Sim, é certo, podíamos seguir, mais lentos, passo-a-passo, em "slow motion", e continuar nós próprios a jornada pelo Caminho.
Mas não o queremos: aceitamos que não somos o esteio e declaramos que estamos frágeis!
São dias que, mirando de perto, parecem doídos, até de algum susto.
Mas, ao longe, vendo a sua perspectiva, descobrimos a enorme riqueza que trazem a quem somos, preparando-nos para novos trilhos do Caminho.
Oferecem-nos uma desnudada humildade, pois só na fragilidade pura sabemos realmente como somos tão pequenos; dão-nos a apreciar a verdadeira medida do Tempo, pois que só quando ele é mais pesado sentimos, também, como podemos saboreá-lo devagar; mostra-nos como o Mundo gira, gira e torna a girar mesmo quando o nosso passo o não acompanha e, por isso a nossa medida de pequena, pequenissima peça de puzzle do Universo, razão por que descobrimos, ainda muito mais, como somos absolutamente livres.
Mas a grande, a enormíssima oferenda, que a fragilidade nos traz é o Amor.
O Amor de quem nos ama.
Nesses dias esse Amor tem um brilho ofuscante e como manto cobre-nos; protege-nos como escudo e caminha ao nosso lado, levando-nos "sempre ao colo".
É um rasto de beleza que o universo liberta e com que nos compraz e a que nós aprendemos a chamar cumplicidade.
Ser cumplice é lamber as lágrimas do outro, sempre, sempre a sorrir, fazendo-lhe crer que "tudo é foi, nada acontece" porque "tu és uma força da natureza!".
"É ser alma, e sangue e força em mim".
"Tudo é foi, nada acontece". Eugénio de Andrade
"É ser alma, e sangue e força em mim". Florbela Espanca
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Voa mais alto: olha para Fernão!
"Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o importante, não era comer, mas voar. Mais do que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar."
Não sou dada a ídolos: não me parece bem plagiar almas, decalcar caminhos, mimar gestos! Já não seria eu, e depois em que me veria?
Tenho, sim, os meus faróis - Deus, o meu Pai e Lao-Tzu, que vão iluminando os meus olhos para que consiga ver todas as parcelas do Caminho, até as lages mais pedregosas.
E há o Fernão!
O Fernão!
O Fernão é um companheiro que encontrei há muito tempo. Pouco mais era que criança quando descobri que, para além de mim, havia alguém para quem voar mais alto era um dever.
Foi, então, que descobri o Fernão.
Quando nasci, de onde vim, onde estava eram coordenadas que faziam adivinhar para mim uma rota tão diversa: um caminho simples, cómodo, regular e solarendo - uma daquelas veredas nem largas, nem estreitas, nem claras, nem escuras, com árvores plantadas para a ensombrar. Costumeiro, portanto.
Mas a claridade do céu nunca deixou que assim fosse!
Um caminho cómodo, com sombra, não deixa ver o brilho da Luz: o que primeiro aprendi quando segui por um deles foi saber que aquele não era o meu Caminho.
A claridade do Céu, a Luz, é uma paixão que me faz voar desde sempre.
Tal como Fernão, voo por puro prazer, pelo prazer de ir mais além. Pelo designio de voar!
E, assim como ele, já caí fulminada, estatelando-me; mas com a mesma vontade de Fernão prossegui a voar, cada vez mais alto, mais veloz e com mais arrojo.
Não fui, como Fernão, tentada banir: é que quanto a mim tal não seria possivel, tão-só porque a mundanidade é horizonte que não me assombra.
Sei que foi a voar que descobri que o Mundo é verdadeiramente belo, que os Homens são prodigiosos e que a é Vida estonteante, pois com a Luz e do alto tudo se vê nítido, sem mácula.
Vi, também lá do alto, que o Caminho que sigo é dos mais belos: tem imensas pedras, pedregulhos até, razão porque, às vezes, sofro quedas e pequenos ferimentos; é a céu aberto e por isso quando chove, molho-me mesmo e quando a estiagem é séria, há abrasões mas, acreditem, nada melhor há que sentir as emoções mais profundas na pele! Mas o melhor mesmo é que faz adivinhar que, bem ao fundo, tem fim. Magestoso! Uma garganta sobre o infinito! Sempre a céu aberto e com muita Luz, uma verdadeira bebedeira de Luz!
Percebi, por fim, a ânsia do voo e da Luz: preparar-me para o infinito!
Por isso, sempre que no meu Caminho outro Caminho se cruza, com um sorriso digo "voa mais alto: olha para Fernão". E hoje já somos um bando!
E em bando, voando, descobrimos o que sentiu Fernão: que o tédio, o medo e a ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta e sem essas razões a perturbarem-lhe o pensamento, vivem de facto uma vida longa e feliz.
Hoje sem tédio, sem medo e sem ira, eu sou feliz. O meu bando é feliz.
Não sou dada a ídolos: não me parece bem plagiar almas, decalcar caminhos, mimar gestos! Já não seria eu, e depois em que me veria?
Tenho, sim, os meus faróis - Deus, o meu Pai e Lao-Tzu, que vão iluminando os meus olhos para que consiga ver todas as parcelas do Caminho, até as lages mais pedregosas.
E há o Fernão!
O Fernão!
O Fernão é um companheiro que encontrei há muito tempo. Pouco mais era que criança quando descobri que, para além de mim, havia alguém para quem voar mais alto era um dever.
Foi, então, que descobri o Fernão.
Quando nasci, de onde vim, onde estava eram coordenadas que faziam adivinhar para mim uma rota tão diversa: um caminho simples, cómodo, regular e solarendo - uma daquelas veredas nem largas, nem estreitas, nem claras, nem escuras, com árvores plantadas para a ensombrar. Costumeiro, portanto.
Mas a claridade do céu nunca deixou que assim fosse!
Um caminho cómodo, com sombra, não deixa ver o brilho da Luz: o que primeiro aprendi quando segui por um deles foi saber que aquele não era o meu Caminho.
A claridade do Céu, a Luz, é uma paixão que me faz voar desde sempre.
Tal como Fernão, voo por puro prazer, pelo prazer de ir mais além. Pelo designio de voar!
E, assim como ele, já caí fulminada, estatelando-me; mas com a mesma vontade de Fernão prossegui a voar, cada vez mais alto, mais veloz e com mais arrojo.
Não fui, como Fernão, tentada banir: é que quanto a mim tal não seria possivel, tão-só porque a mundanidade é horizonte que não me assombra.
Sei que foi a voar que descobri que o Mundo é verdadeiramente belo, que os Homens são prodigiosos e que a é Vida estonteante, pois com a Luz e do alto tudo se vê nítido, sem mácula.
Vi, também lá do alto, que o Caminho que sigo é dos mais belos: tem imensas pedras, pedregulhos até, razão porque, às vezes, sofro quedas e pequenos ferimentos; é a céu aberto e por isso quando chove, molho-me mesmo e quando a estiagem é séria, há abrasões mas, acreditem, nada melhor há que sentir as emoções mais profundas na pele! Mas o melhor mesmo é que faz adivinhar que, bem ao fundo, tem fim. Magestoso! Uma garganta sobre o infinito! Sempre a céu aberto e com muita Luz, uma verdadeira bebedeira de Luz!
Percebi, por fim, a ânsia do voo e da Luz: preparar-me para o infinito!
Por isso, sempre que no meu Caminho outro Caminho se cruza, com um sorriso digo "voa mais alto: olha para Fernão". E hoje já somos um bando!
E em bando, voando, descobrimos o que sentiu Fernão: que o tédio, o medo e a ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta e sem essas razões a perturbarem-lhe o pensamento, vivem de facto uma vida longa e feliz.
Hoje sem tédio, sem medo e sem ira, eu sou feliz. O meu bando é feliz.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Silenciosamente
Todos os dias, dia-a-dia, tenho um encontro marcado com o silêncio.
Fui-me fazendo, não de silêncios, mas no silêncio: nunca conheci o abandono, mas sempre me nimbei de silêncio.
Era, ainda, uma menina pequena e era o silêncio que me trazia juntamente com as histórias dos livros de encantar a magia que, ainda hoje, guardo das princesas, das fadas e dos anjos. E são eles - as princesas, as fadas e os anjos - que me falam, ainda, no silêncio.
Estão lá, tanto quanto eu.
Não, não são seres imaginários. São eles, como sou eu: têm alma e sonhos. Temos alma e sonhos. Por isso estamos juntos. No silêncio.
Sei que para muitos não existe magia e o silêncio é ensurdecer, insuportável: sentir aquele vazio tão prenhe de Vida, tão pleno de oportunidades e não lhe entender o sentido só poderá ser insuportável!
Mas ela existe, a magia existe, acreditem!
Quando consigo entender que do passado apenas consigo recolher a alegria que senti, e já não o vejo como uma lição, mas apenas um trilho do Caminho: isso é magia.
É magia, também, sentir o cheiro de quem amo que, estando longe, tão longe, é quem mais perto vive de mim, que consigo mesmo embalar nos meus sonhos.
E quando se recebo o beijo mais ensonado da manhã daquelas cabeças mais loiras, dizendo-me "bom dia mãe!", com um sorriso tão franco, quanto feliz, ainda quando o céu é bréu: magia, magia, magia!
E quando neste imenso silêncio, olho em redor, e sinto que é meu dever servir, estudar, trabalhar, sinto a magia da felicidade.
Foi o silêncio que ofereceu tudo isto como dádiva: a magia e os sonhos.
Ensinou-me a recolher magia. Ensinando-me que em tudo, mesmo em tudo, há magia.
E, por isso, às vezes mesmo nuns olhos que choram encontro uma certa magia: a magia de quem descobriu que a Vida os reencontrou.
Silenciosamente, busco-me.
Silenciosamente, vou arquitectando o plano de cada um dos meus sonhos, aqueles que sei irei viver.
Porque só o silencio nos devolve o que é nosso, na Vida, no Mundo, nos Homens.
Fui-me fazendo, não de silêncios, mas no silêncio: nunca conheci o abandono, mas sempre me nimbei de silêncio.
Era, ainda, uma menina pequena e era o silêncio que me trazia juntamente com as histórias dos livros de encantar a magia que, ainda hoje, guardo das princesas, das fadas e dos anjos. E são eles - as princesas, as fadas e os anjos - que me falam, ainda, no silêncio.
Estão lá, tanto quanto eu.
Não, não são seres imaginários. São eles, como sou eu: têm alma e sonhos. Temos alma e sonhos. Por isso estamos juntos. No silêncio.
Sei que para muitos não existe magia e o silêncio é ensurdecer, insuportável: sentir aquele vazio tão prenhe de Vida, tão pleno de oportunidades e não lhe entender o sentido só poderá ser insuportável!
Mas ela existe, a magia existe, acreditem!
Quando consigo entender que do passado apenas consigo recolher a alegria que senti, e já não o vejo como uma lição, mas apenas um trilho do Caminho: isso é magia.
É magia, também, sentir o cheiro de quem amo que, estando longe, tão longe, é quem mais perto vive de mim, que consigo mesmo embalar nos meus sonhos.
E quando se recebo o beijo mais ensonado da manhã daquelas cabeças mais loiras, dizendo-me "bom dia mãe!", com um sorriso tão franco, quanto feliz, ainda quando o céu é bréu: magia, magia, magia!
E quando neste imenso silêncio, olho em redor, e sinto que é meu dever servir, estudar, trabalhar, sinto a magia da felicidade.
Foi o silêncio que ofereceu tudo isto como dádiva: a magia e os sonhos.
Ensinou-me a recolher magia. Ensinando-me que em tudo, mesmo em tudo, há magia.
E, por isso, às vezes mesmo nuns olhos que choram encontro uma certa magia: a magia de quem descobriu que a Vida os reencontrou.
Silenciosamente, busco-me.
Silenciosamente, vou arquitectando o plano de cada um dos meus sonhos, aqueles que sei irei viver.
Porque só o silencio nos devolve o que é nosso, na Vida, no Mundo, nos Homens.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Declaração de Amor
Não sei muito bem se o Amor se pode declarar. Nomear sim.
Mas declarar, como quem faz um discurso, já não tenho certeza.
Verdade, que quanto ao Amor pouco é assente, a não ser senti-lo.
Será que posso chegar a um qualquer lugar, apresentar-me e frente a uma plateia, dizer como palestrante "Amo o Miguel porque a luz dos seus olhos iluminou muito mais os meus" ou, ainda, "O mistério deste Amor foi desvendado pelo tecer de torvelinhos de fadas que, entretidas, nos destinaram" ou, também "Agora que amo o Miguel nunca mais quero ser feliz sozinha"?
Posso fazê-lo sem magoar o Amor?
Não precisa o Amor de ter cómodo próprio, não vive de silêncio enovelado, não necessita de retiro para se espraiar, para respirar?
Meditei, meditei muito sobre o Amor, acerca do caudal do nosso Amor.
E soube o que nunca esqueci: ele precisa de ser ele próprio, como nós precisamos de o ser - luz, alegria, entrega, paixão e dádiva e muita, muita felicidade.
Sem isso ele sofre; sem isso perdemos-nos. De nós e de mim e de ti.
É, por isso, que emerge ser declarado o Amor. Como nunca antes.
Mais do que nomeado. Hoje precisa de ser declarado!
O Amor, o meu Amor, o teu Amor, o nosso Amor precisa mais do que nunca de ser declarado, é pulsão da Vida!
E a Vida nunca se nega, vive-se. Momento a momento. Como pedra preciosa que se colhe do Tempo.
Declarar o Amor é, antes de mais, nomeá-lo para nós sem medo; ousando ter a coragem de enfrentar o medo, de dizê-lo um cão sem dentes, um fantasma desnudado, mirá-lo nos olhos e dizer-lhe "não existes".
Uma certeza existe: Amo-te!
Mas declarar, como quem faz um discurso, já não tenho certeza.
Verdade, que quanto ao Amor pouco é assente, a não ser senti-lo.
Será que posso chegar a um qualquer lugar, apresentar-me e frente a uma plateia, dizer como palestrante "Amo o Miguel porque a luz dos seus olhos iluminou muito mais os meus" ou, ainda, "O mistério deste Amor foi desvendado pelo tecer de torvelinhos de fadas que, entretidas, nos destinaram" ou, também "Agora que amo o Miguel nunca mais quero ser feliz sozinha"?
Posso fazê-lo sem magoar o Amor?
Não precisa o Amor de ter cómodo próprio, não vive de silêncio enovelado, não necessita de retiro para se espraiar, para respirar?
Meditei, meditei muito sobre o Amor, acerca do caudal do nosso Amor.
E soube o que nunca esqueci: ele precisa de ser ele próprio, como nós precisamos de o ser - luz, alegria, entrega, paixão e dádiva e muita, muita felicidade.
Sem isso ele sofre; sem isso perdemos-nos. De nós e de mim e de ti.
É, por isso, que emerge ser declarado o Amor. Como nunca antes.
Mais do que nomeado. Hoje precisa de ser declarado!
O Amor, o meu Amor, o teu Amor, o nosso Amor precisa mais do que nunca de ser declarado, é pulsão da Vida!
E a Vida nunca se nega, vive-se. Momento a momento. Como pedra preciosa que se colhe do Tempo.
Declarar o Amor é, antes de mais, nomeá-lo para nós sem medo; ousando ter a coragem de enfrentar o medo, de dizê-lo um cão sem dentes, um fantasma desnudado, mirá-lo nos olhos e dizer-lhe "não existes".
Uma certeza existe: Amo-te!
domingo, 12 de setembro de 2010
Ser simplesmente
Do pouquíssimo que aforrei, de tudo o que me ensinaram e fui mirando pela Vida, é a certeza de que o importante não se compra, nem se vende; dá-se e recebe-se: razão por que não é na mundanidade que encontraremos a diferença.
Sabemos disso porque constatamos a felicidade de quem nada tem, como uma daquelas crianças pobres de um qualquer beco dito miserável deste Mundo quando joga futebol com uma bola feita de farrapos e, ao mesmo tempo, somos confrontados com a tristeza líquida nos olhos de outros "homens pequeninos" que têm quartos próprios, arranjados cheios de tralha para inventar brincadeiras.
A proporcionalidade directa da alegria de uns e da infelicidade de outros reside, tão-só, na dádiva a que estão habituados a receber e a dar.
O menino que se afigura pobre tem muito pouco onde agarrar, mas vive profundamente naquilo que realmente tem, porque esse pouco é mesmo seu; dá-se por completo àquele quase nada e vive nele o rol de emoções profundas que esse pouco lhe transmite. Vive muito naquele pedaço!
Já aquela criança que vive na confusão da materialidade, onde o excesso pontua como espelho perfeito da opulência bacoca, sofre a angústia, a tremenda angústia, de se sentir obrigado a dividir entre tudo e não ter nada: afinal ela sabe que nunca se pode dar tudo a todos e, por isso, aquele quase tudo não é mais do que lixo.
O desafio é, pois, avassalador - num Mundo onde uma parte da humanidade vive marcada pelos desígnios da opulência, do consumo, do excesso é essencial a simplicidade; a busca da simplicidade.
Sentir que cheirar o ar é maravilhoso, que mirar uma criança que sorri é prodigioso, que percorrer aquela vereda íngreme e cheia de hera, silvas e restolho pode ser a viagem é, afinal, ter a coragem de resgatar a simplicidade, é ter a desdita de fazer soar com a própria Vida que "o essencial é invisivel aos olhos, só se vê bem com o coração": a coragem dos verdadeiros heróis, os que resgatam a sua Alma para a doar aos outros e ao Mundo.
Ser simplesmente é entender com a pele do coração que só somos tocados pelo que é pequeno, silencioso, pois que aquela parte de nós, aquela pequeníssima parcela de nós que é elo com o Infinito, apenas é fibrilhada pela Verdade - tudo o que provém do coração: o que não se compra nem se vende, apenas se dá e se recebe.
"O essencial é invisivel aos olhos. Só se vê bem com o coração" Antoine de Ste. Exupéry
Sabemos disso porque constatamos a felicidade de quem nada tem, como uma daquelas crianças pobres de um qualquer beco dito miserável deste Mundo quando joga futebol com uma bola feita de farrapos e, ao mesmo tempo, somos confrontados com a tristeza líquida nos olhos de outros "homens pequeninos" que têm quartos próprios, arranjados cheios de tralha para inventar brincadeiras.
A proporcionalidade directa da alegria de uns e da infelicidade de outros reside, tão-só, na dádiva a que estão habituados a receber e a dar.
O menino que se afigura pobre tem muito pouco onde agarrar, mas vive profundamente naquilo que realmente tem, porque esse pouco é mesmo seu; dá-se por completo àquele quase nada e vive nele o rol de emoções profundas que esse pouco lhe transmite. Vive muito naquele pedaço!
Já aquela criança que vive na confusão da materialidade, onde o excesso pontua como espelho perfeito da opulência bacoca, sofre a angústia, a tremenda angústia, de se sentir obrigado a dividir entre tudo e não ter nada: afinal ela sabe que nunca se pode dar tudo a todos e, por isso, aquele quase tudo não é mais do que lixo.
O desafio é, pois, avassalador - num Mundo onde uma parte da humanidade vive marcada pelos desígnios da opulência, do consumo, do excesso é essencial a simplicidade; a busca da simplicidade.
Sentir que cheirar o ar é maravilhoso, que mirar uma criança que sorri é prodigioso, que percorrer aquela vereda íngreme e cheia de hera, silvas e restolho pode ser a viagem é, afinal, ter a coragem de resgatar a simplicidade, é ter a desdita de fazer soar com a própria Vida que "o essencial é invisivel aos olhos, só se vê bem com o coração": a coragem dos verdadeiros heróis, os que resgatam a sua Alma para a doar aos outros e ao Mundo.
Ser simplesmente é entender com a pele do coração que só somos tocados pelo que é pequeno, silencioso, pois que aquela parte de nós, aquela pequeníssima parcela de nós que é elo com o Infinito, apenas é fibrilhada pela Verdade - tudo o que provém do coração: o que não se compra nem se vende, apenas se dá e se recebe.
"O essencial é invisivel aos olhos. Só se vê bem com o coração" Antoine de Ste. Exupéry
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Por Favor. Sim. Obrigado.
Num tempo de cavalgadas rápidas, em que o Tempo parece nada, nem a ninguém querer poupar, vemos cada vez mais exaurido o respeito.
O valor do respeito.
Quem dispensar uns segundos do seu tempo verá gente envenenada de raiva com tudo: desde a chuva miudinha, ao último golo que era suposto a sua equipa não ter sofrido, até mesmo porque o condutor do carro da frente teve de parar por instantes para que o seu filho pequeno saísse mais perto da escola!
Mas pior, muito pior.
A duras penas constatamos que há pessoas, seres humanos, que se esqueceram que o são porque deixaram de se respeitarem: mulheres e homens que, apesar do imenso sacrífio que tal lhes acarreta, vivem sem alma, dizendo "sim" quando querem dizer "não!!!!"; que vivem como fantasmas encobertos por sombras tão-só porque se esqueceram do que é viver.
Depois, assistimos, também, ao desfile de egos!
O principio vigente é de cada um é livre de ser quem é. E nem pode ser de outra forma, digo eu!
Mas com a nuance - a que faz toda a diferença - de que a minha liberdade é tão importante e tão fundante e fundamental como a do outro e, desse modo, têm de coexitir entre si, sem se estremecerem.
Isto é, sou livre como o outro o é, na mesma medida e com a mesma importância.
Resulta, por tal, a obrigação de todos coexistirmos em liberdade, numa proficua liberdade.
Eu sou mais livre quando me mostro absolutamente diferente de quem está junto de mim, mas nessa diferença tenho o dever de colocar cuidado, delicadeza, leveza mesmo: tudo deveres de respeito.
Doçura, diria eu.
É necessário criar uma nova ética na relação.
Naquela que estabelecemos connosco mesmos: é necessário que nos olhemos com cuidado, que miremos cada traço de Vida que se revela em nós e que admiremos a obra de arte infinitamente bela que somos.
É, ainda, crucial que olhemos o outro com cortesia; que o contemplemos com inteligência na diferença, mas de forma a perceber que há sempre mais, muito mais, que nos une do que nos separa, pois, afinal, somos todos Homens.
Mas, também, que nunca deixemos de nos virar para a natureza: magestosa, bela, generosa, sempre generosa. E sempre fonte de constante renovação.
Por Favor, Sim, Obrigado será uma parte do nosso novo léxico. Muito, mas muito mais se aditará.
Sempre com um sorriso; que do rosto se plantará no coração.
Tão-só porque um Homem respeitador e respeitavel é alguém que sabe amar-se e amar como nenhum outro porque tem em si uma marca indelevel: a da Humanidade.
O valor do respeito.
Quem dispensar uns segundos do seu tempo verá gente envenenada de raiva com tudo: desde a chuva miudinha, ao último golo que era suposto a sua equipa não ter sofrido, até mesmo porque o condutor do carro da frente teve de parar por instantes para que o seu filho pequeno saísse mais perto da escola!
Mas pior, muito pior.
A duras penas constatamos que há pessoas, seres humanos, que se esqueceram que o são porque deixaram de se respeitarem: mulheres e homens que, apesar do imenso sacrífio que tal lhes acarreta, vivem sem alma, dizendo "sim" quando querem dizer "não!!!!"; que vivem como fantasmas encobertos por sombras tão-só porque se esqueceram do que é viver.
Depois, assistimos, também, ao desfile de egos!
O principio vigente é de cada um é livre de ser quem é. E nem pode ser de outra forma, digo eu!
Mas com a nuance - a que faz toda a diferença - de que a minha liberdade é tão importante e tão fundante e fundamental como a do outro e, desse modo, têm de coexitir entre si, sem se estremecerem.
Isto é, sou livre como o outro o é, na mesma medida e com a mesma importância.
Resulta, por tal, a obrigação de todos coexistirmos em liberdade, numa proficua liberdade.
Eu sou mais livre quando me mostro absolutamente diferente de quem está junto de mim, mas nessa diferença tenho o dever de colocar cuidado, delicadeza, leveza mesmo: tudo deveres de respeito.
Doçura, diria eu.
É necessário criar uma nova ética na relação.
Naquela que estabelecemos connosco mesmos: é necessário que nos olhemos com cuidado, que miremos cada traço de Vida que se revela em nós e que admiremos a obra de arte infinitamente bela que somos.
É, ainda, crucial que olhemos o outro com cortesia; que o contemplemos com inteligência na diferença, mas de forma a perceber que há sempre mais, muito mais, que nos une do que nos separa, pois, afinal, somos todos Homens.
Mas, também, que nunca deixemos de nos virar para a natureza: magestosa, bela, generosa, sempre generosa. E sempre fonte de constante renovação.
Por Favor, Sim, Obrigado será uma parte do nosso novo léxico. Muito, mas muito mais se aditará.
Sempre com um sorriso; que do rosto se plantará no coração.
Tão-só porque um Homem respeitador e respeitavel é alguém que sabe amar-se e amar como nenhum outro porque tem em si uma marca indelevel: a da Humanidade.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Um por Todos, Todos por Um
Descendo de uma linhagem cujos cavaleiros se fizeram por Honra.
Não há Ordens, não há Comendas, e quando há Medalhas, francamente, não são das melhores!
Mas a valentia desses cavaleiros foi sempre tanta que me deslumbrou, apaixonando-me pelas suas lutas, pelas suas armas, pela sua forma de viver.
E se sei que para vós um cavaleiro é um homem, de preferência com uma espada na baínha, quem sabe com uma armadura, já para mim não é nada disso.
Cavaleiro para mim é uma pessoa de coração pleno, homem ou mulher, as suas armas só poderão ser a vontade, a inteligência e a integridade e a armadura apenas um coração sempre pronto a amar.
É quem serve os outros por missão, com uma humildade sem limites e sempre com um sorriso no coração.
Nasci, sorri pela primeira vez, dei os primeiros passos, balbuciei as primeiras palavras e aprendi a brincar com quem desta maneira vive e serve, desta forma amando.
Provenho de uma linhagem de dois cavaleiros de longa memória; e com eles, mirando-os de soslaio, aprendi a viver de doação em doação.
Sem régua, sem esquadro, apenas com barro e vento; e sempre pronta a colher os frutos da Vida e a deixar-me construir pelos desígnios do meu Caminho.
Tendo apenas por norte o Amor, o imenso, o estonteante Amor, pela responsabilidade de crescer sempre e de seguir aquele, o meu Caminho, com dignidade.
E assim, a pouco e pouco, como acontecem os grandes amores, fomo-nos misturando.
Eles deixaram de ser "apenas" os meus pais e passaram a ser uma parte de mim, que está sempre a crescer mas sem que me invada um pouco sequer e passámos a formar uma brigada.
Sempre juntos, ainda que muito longe.
E junta-nos uma cumplicidade ímpar, um amor que já nem sei se é amor, envolve-nos uma teia que nos acalenta: somos um por todos, todos por um.
Mais do que um lema, é um propósito consagrado.
Agora eu sou ponte!
Trago em mim tudo o que amealhei na alma, tentando, também, passo a passo, aforrar um pouco mais que o Mundo me ofereceu.
Dia a dia, com ânsia dissimulada (quando o posso!), tento mostrar às gaivotas como é voar em bando; sobretudo sem grandes preocupações em apanhar o peixe para o pequeno-almoço mas empenhados em voos cada vez mais altos, desafiantes.
Fazemo-lo todos juntos, a três!
Mesmo quando há temporal todos nos molhamos e sentimos o vento a sacudirmos as asas; quando o estio aperta todos nós sentimos a sua canícula; e ainda quando é festa, é festa de arromba para todos, nem que seja na improvisada pista de dança da cozinha, entre o aquecer de pratos no micro-ondas e o levar de pratos para a copa.
Assim se teceram, também, os cordelinhos da confiança, da mescla, da troca, de ser de todos o que é de um, ficando todos mais plenos.
A alegria é, assim, mais forte por ser de todos quando era para ser só de um e a dor desvanece-se quando o desafio acerta em qualquer um de nós.
Também nós, muito, muito mais do que um lema, somos um por todos, todos por um!
É por isso que, para todo este bando, é tempo de festa.
A Vida ofereceu-me o Amor, um Amor Grande.
Mas a alegria por esta dádiva não é só minha. Decididamente não é só minha!
A Loira está esfusiante, delira; o Zaruca tem um sorriso tão rasgado no rosto, que lhe chega ao coração.
Percebo agora, só agora, que só verdadeiramente amamos quando cedemos o pedaço de nós que permite aos outros usá-lo como ponte para nos ligar - tive esse pedaço de onde vim, dei esse pedaço ao meu bando e hoje, nós dois, damo-lo; um ao outro e a todos a quem cada um de nós ama.
Benvindo.
Mais do que um lema, nós os cinco somos um por todos, todos por um.
Tu que já eras um Senhor, hoje és um cavaleiro.
Não há Ordens, não há Comendas, e quando há Medalhas, francamente, não são das melhores!
Mas a valentia desses cavaleiros foi sempre tanta que me deslumbrou, apaixonando-me pelas suas lutas, pelas suas armas, pela sua forma de viver.
E se sei que para vós um cavaleiro é um homem, de preferência com uma espada na baínha, quem sabe com uma armadura, já para mim não é nada disso.
Cavaleiro para mim é uma pessoa de coração pleno, homem ou mulher, as suas armas só poderão ser a vontade, a inteligência e a integridade e a armadura apenas um coração sempre pronto a amar.
É quem serve os outros por missão, com uma humildade sem limites e sempre com um sorriso no coração.
Nasci, sorri pela primeira vez, dei os primeiros passos, balbuciei as primeiras palavras e aprendi a brincar com quem desta maneira vive e serve, desta forma amando.
Provenho de uma linhagem de dois cavaleiros de longa memória; e com eles, mirando-os de soslaio, aprendi a viver de doação em doação.
Sem régua, sem esquadro, apenas com barro e vento; e sempre pronta a colher os frutos da Vida e a deixar-me construir pelos desígnios do meu Caminho.
Tendo apenas por norte o Amor, o imenso, o estonteante Amor, pela responsabilidade de crescer sempre e de seguir aquele, o meu Caminho, com dignidade.
E assim, a pouco e pouco, como acontecem os grandes amores, fomo-nos misturando.
Eles deixaram de ser "apenas" os meus pais e passaram a ser uma parte de mim, que está sempre a crescer mas sem que me invada um pouco sequer e passámos a formar uma brigada.
Sempre juntos, ainda que muito longe.
E junta-nos uma cumplicidade ímpar, um amor que já nem sei se é amor, envolve-nos uma teia que nos acalenta: somos um por todos, todos por um.
Mais do que um lema, é um propósito consagrado.
Agora eu sou ponte!
Trago em mim tudo o que amealhei na alma, tentando, também, passo a passo, aforrar um pouco mais que o Mundo me ofereceu.
Dia a dia, com ânsia dissimulada (quando o posso!), tento mostrar às gaivotas como é voar em bando; sobretudo sem grandes preocupações em apanhar o peixe para o pequeno-almoço mas empenhados em voos cada vez mais altos, desafiantes.
Fazemo-lo todos juntos, a três!
Mesmo quando há temporal todos nos molhamos e sentimos o vento a sacudirmos as asas; quando o estio aperta todos nós sentimos a sua canícula; e ainda quando é festa, é festa de arromba para todos, nem que seja na improvisada pista de dança da cozinha, entre o aquecer de pratos no micro-ondas e o levar de pratos para a copa.
Assim se teceram, também, os cordelinhos da confiança, da mescla, da troca, de ser de todos o que é de um, ficando todos mais plenos.
A alegria é, assim, mais forte por ser de todos quando era para ser só de um e a dor desvanece-se quando o desafio acerta em qualquer um de nós.
Também nós, muito, muito mais do que um lema, somos um por todos, todos por um!
É por isso que, para todo este bando, é tempo de festa.
A Vida ofereceu-me o Amor, um Amor Grande.
Mas a alegria por esta dádiva não é só minha. Decididamente não é só minha!
A Loira está esfusiante, delira; o Zaruca tem um sorriso tão rasgado no rosto, que lhe chega ao coração.
Percebo agora, só agora, que só verdadeiramente amamos quando cedemos o pedaço de nós que permite aos outros usá-lo como ponte para nos ligar - tive esse pedaço de onde vim, dei esse pedaço ao meu bando e hoje, nós dois, damo-lo; um ao outro e a todos a quem cada um de nós ama.
Benvindo.
Mais do que um lema, nós os cinco somos um por todos, todos por um.
Tu que já eras um Senhor, hoje és um cavaleiro.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Viver
Quem respira parece estar vivo, não é?
Há quem defenda que sim.
Outros, ainda, pugnam que basta que o coração bata para que logo se conclua pela vida.
Para outros chega que uma parafernália de máquinas sustentem o que já não vive para que se mime a vida.
Não o é para mim; nada disto, para mim, é viver.
E seria-o vestir o tailleur com a blusa de seda, colocar o colar de pérolas, a seguir ao duche da manhã e já depois da maquilhagem, dar o beijo costumeiro ao marido e aos filhos e arrancar de carro e depois de chegar ao emprego, beber o café e falar das ultimas novidades, porque é tudo isso que se espera que aconteça?
Não. Não o seria, também.
E que tal, estar longe do mundo dos comezinhos, olhar apenas para uma parte que fica a meio caminho do firmamento, onde pretendentes a estrelas ensaiam rasgos, melhor, nesgas de luz e onde o passaporte é apenas franquiado aos que têm desenhada uma pretensa aura de brilho e invencibilidade? Não é isso mesmo viver?
Descontente, eu, digo freneticamente, não.
Ou será buscar a tranquilidade da pequena toupeira que tão laboriosamente constrói a sua toca para se esconder do mundo, envergonhada.
Ainda digo não.
Viva, profundamente viva, eu me confesso!
E vivo porque respiro um ar doce em cada manhã que dura até cada nova aurora.
E vivo porque de cada vez que espalho o meu olhar encontro Homens maravilhosos a quem amar.
E vivo porque a água é lisa e sacia sempre a minha sede e limpa a minha pele, que todos os dias é mais bela pelo tingimento da flor da idade.
E vivo, também, pela luz que encontro em cada olhar que ilumina o meu.
Mas, ainda, vivo pela descoberta de que não tenho medo.
E vivo, vivo muito porque me tenho o maior amor do mundo e nesse amor encontro todos os a quem o mesmo amor doei.
Porque viver é estar vivo.
É saber que viver é sentir o cheiro da neblina que o mar transporta ao amanhecer.
É saber que viver é reconhecer, mesmo antes de sentir, que o Amor nasceu.
É saber que viver é olhar o firmamento e que nem esse é o limite.
Viver é ser capaz de ser fada, é ser capaz de reconhecer os anjos, é ter a capacidade de saber que Deus existe; é colocar um sorriso no rosto e levá-lo para o coração.
E assim, plena, espalhar pelo Mundo a ultima alquímia: a magia de viver.
Há quem defenda que sim.
Outros, ainda, pugnam que basta que o coração bata para que logo se conclua pela vida.
Para outros chega que uma parafernália de máquinas sustentem o que já não vive para que se mime a vida.
Não o é para mim; nada disto, para mim, é viver.
E seria-o vestir o tailleur com a blusa de seda, colocar o colar de pérolas, a seguir ao duche da manhã e já depois da maquilhagem, dar o beijo costumeiro ao marido e aos filhos e arrancar de carro e depois de chegar ao emprego, beber o café e falar das ultimas novidades, porque é tudo isso que se espera que aconteça?
Não. Não o seria, também.
E que tal, estar longe do mundo dos comezinhos, olhar apenas para uma parte que fica a meio caminho do firmamento, onde pretendentes a estrelas ensaiam rasgos, melhor, nesgas de luz e onde o passaporte é apenas franquiado aos que têm desenhada uma pretensa aura de brilho e invencibilidade? Não é isso mesmo viver?
Descontente, eu, digo freneticamente, não.
Ou será buscar a tranquilidade da pequena toupeira que tão laboriosamente constrói a sua toca para se esconder do mundo, envergonhada.
Ainda digo não.
Viva, profundamente viva, eu me confesso!
E vivo porque respiro um ar doce em cada manhã que dura até cada nova aurora.
E vivo porque de cada vez que espalho o meu olhar encontro Homens maravilhosos a quem amar.
E vivo porque a água é lisa e sacia sempre a minha sede e limpa a minha pele, que todos os dias é mais bela pelo tingimento da flor da idade.
E vivo, também, pela luz que encontro em cada olhar que ilumina o meu.
Mas, ainda, vivo pela descoberta de que não tenho medo.
E vivo, vivo muito porque me tenho o maior amor do mundo e nesse amor encontro todos os a quem o mesmo amor doei.
Porque viver é estar vivo.
É saber que viver é sentir o cheiro da neblina que o mar transporta ao amanhecer.
É saber que viver é reconhecer, mesmo antes de sentir, que o Amor nasceu.
É saber que viver é olhar o firmamento e que nem esse é o limite.
Viver é ser capaz de ser fada, é ser capaz de reconhecer os anjos, é ter a capacidade de saber que Deus existe; é colocar um sorriso no rosto e levá-lo para o coração.
E assim, plena, espalhar pelo Mundo a ultima alquímia: a magia de viver.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Só Deus tem os que mais Ama
Não somos nós, nem nunca o seríamos, sem aquela amálgama maravilhosa de encontros que tivemos, de adeus que partiram, de gente que nos olhou e de quem nem, sequer, nos sentiu respirar mas sem quem, pensámos nós, nunca mais viveríamos.
Sem memórias, sem memória, não seríamos quem somos.
Porque nunca o somos. Somos nós e aquela multidão que connosco vive, a que nos cruzou e a que, momento a momento, vamos perfilando no horizonte desta Vida.
Viver, sentir o coração, é darmo-nos por inteiro a essa multidão. Sem medo.
É saber que, instante a instante, encontramos sempre Homens bons, muito bons; mas que há também quem nos faça apertar o coração.
É sentir que depois de um "Olá" pode vir a caminho a maior alegria, mas que se lhe pode seguir um desafio estonteante porque era a descoberta que necessitávamos para sermos quem precisámos de nos revelar.
É descobrir que num breve instante, sem sequer darmos conta, tudo pode mudar porque há milagres absolutamente maravilhosos e que, então, podemos num ápice encontrar quem esperávamos desde sempre, ainda que não o soubessemos e, assim, viver a maior das revoluções.
É descobrir, também, que quem nos povoa um dia parte.
Um dia que é um desafio; que nos obriga a repensar quem sou eu, o que é a Vida, porque amamos?
Um dia longo, muito longo.
Um dia tão longo que temos vontade que seja noite para ser logo, logo outro dia.
Mas essa nova aurora acaba, sempre, por nascer.
Podemos, então, olhar os que partiram com saudade: a memória com acuçar.
Pude, então, lembrar-me como foi ser coberta pelo avental da tia Leonia quando, à pressa, fui tirada dum movimentado rego de água, onde caí porque a voragem de a abraçar foi maior do que a minha destreza de menina de 3 anos. E saber, como sempre sei, que ela é mais uma estrela que brilha no firmamento. Ainda mais para mim.
Só Deus tem os que mais Ama; eu sei.
Mas na minha memória, na nossa memória, estão sempre todos os que amamos. Para sempre.
Sem memórias, sem memória, não seríamos quem somos.
Porque nunca o somos. Somos nós e aquela multidão que connosco vive, a que nos cruzou e a que, momento a momento, vamos perfilando no horizonte desta Vida.
Viver, sentir o coração, é darmo-nos por inteiro a essa multidão. Sem medo.
É saber que, instante a instante, encontramos sempre Homens bons, muito bons; mas que há também quem nos faça apertar o coração.
É sentir que depois de um "Olá" pode vir a caminho a maior alegria, mas que se lhe pode seguir um desafio estonteante porque era a descoberta que necessitávamos para sermos quem precisámos de nos revelar.
É descobrir que num breve instante, sem sequer darmos conta, tudo pode mudar porque há milagres absolutamente maravilhosos e que, então, podemos num ápice encontrar quem esperávamos desde sempre, ainda que não o soubessemos e, assim, viver a maior das revoluções.
É descobrir, também, que quem nos povoa um dia parte.
Um dia que é um desafio; que nos obriga a repensar quem sou eu, o que é a Vida, porque amamos?
Um dia longo, muito longo.
Um dia tão longo que temos vontade que seja noite para ser logo, logo outro dia.
Mas essa nova aurora acaba, sempre, por nascer.
Podemos, então, olhar os que partiram com saudade: a memória com acuçar.
Pude, então, lembrar-me como foi ser coberta pelo avental da tia Leonia quando, à pressa, fui tirada dum movimentado rego de água, onde caí porque a voragem de a abraçar foi maior do que a minha destreza de menina de 3 anos. E saber, como sempre sei, que ela é mais uma estrela que brilha no firmamento. Ainda mais para mim.
Só Deus tem os que mais Ama; eu sei.
Mas na minha memória, na nossa memória, estão sempre todos os que amamos. Para sempre.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Honrar o Passado
Não nascemos quem hoje somos. Nem amanhã seremos quem agora, neste preciso momento, somos.
Somos em permanente devir: desde que como "grão de milho" no ventre materno a pequena criança, caminhamos em direcção ao infinito. Permanentemente.
Mas nunca somos iguais.
Como que por magia quem fomos foi ficando, aos poucos e poucos, preso nas veredas e nos poros de quem amámos, e ao caminharmos neste constante crescimento renascemos sempre, renovando-nos, revivendo, ressurgindo. Sendo novos!
De quem eu fui há 20 anos ficou uma memória e uns traços, claro; mas eu sou outra hoje - saboreio de outra forma as laranjas que mordisco, pois hoje são muitissimo mais saborosas; para nem falar nas palavras que releio do meu livro mais remoto, que hoje fazem um novo sentido.
Cresci?
Não sei!
Sei que me encontro com o antigo e eu sou nova; a cada instante sou nova.
Entendo agora que sou retrato das luzes que me foram banhando. As alvas e as mais escuras; as belas e as opacas; as que ferem os olhos e as que me fizeram brilhar. Mas todas elas me fizeram olhar para todos os angulos de mim, mesmo aqueles que eu nem sequer adivinhava.
Por isso sou muitissimo mais rica; por isso sorrio a todos que me olharam com a sua luz e a verteram em mim: sem toda esta barragem de luzes eu nunca seria eu!
Claro que a luz que hoje me banha é a mais bela, nenhuma outra se lhe assemelha, sequer; razão porque a espero no futuro.
Mas todos os olhares cruzados, todas a luz oferecida, tudo o que nos teceu e nos faz quem somos tem que forçosamente, ter o tributo da nossa memória.
Honrar o passado é fazer uma vénia a si mesmo e dizer-se que tudo valeu, mesmo quando as horas foram um permanente desafio e a exaustão nos ia roubando a alma, porque afinal o Amor, o verdadeiro, é sempre mais forte, a liberdade é o único ar que se respira e a dignidade um modo de vida.
Honrar o passado é, pois, forma de dizer "Obrigada". A dizer, apenas, a quem nos deu luz.
Somos em permanente devir: desde que como "grão de milho" no ventre materno a pequena criança, caminhamos em direcção ao infinito. Permanentemente.
Mas nunca somos iguais.
Como que por magia quem fomos foi ficando, aos poucos e poucos, preso nas veredas e nos poros de quem amámos, e ao caminharmos neste constante crescimento renascemos sempre, renovando-nos, revivendo, ressurgindo. Sendo novos!
De quem eu fui há 20 anos ficou uma memória e uns traços, claro; mas eu sou outra hoje - saboreio de outra forma as laranjas que mordisco, pois hoje são muitissimo mais saborosas; para nem falar nas palavras que releio do meu livro mais remoto, que hoje fazem um novo sentido.
Cresci?
Não sei!
Sei que me encontro com o antigo e eu sou nova; a cada instante sou nova.
Entendo agora que sou retrato das luzes que me foram banhando. As alvas e as mais escuras; as belas e as opacas; as que ferem os olhos e as que me fizeram brilhar. Mas todas elas me fizeram olhar para todos os angulos de mim, mesmo aqueles que eu nem sequer adivinhava.
Por isso sou muitissimo mais rica; por isso sorrio a todos que me olharam com a sua luz e a verteram em mim: sem toda esta barragem de luzes eu nunca seria eu!
Claro que a luz que hoje me banha é a mais bela, nenhuma outra se lhe assemelha, sequer; razão porque a espero no futuro.
Mas todos os olhares cruzados, todas a luz oferecida, tudo o que nos teceu e nos faz quem somos tem que forçosamente, ter o tributo da nossa memória.
Honrar o passado é fazer uma vénia a si mesmo e dizer-se que tudo valeu, mesmo quando as horas foram um permanente desafio e a exaustão nos ia roubando a alma, porque afinal o Amor, o verdadeiro, é sempre mais forte, a liberdade é o único ar que se respira e a dignidade um modo de vida.
Honrar o passado é, pois, forma de dizer "Obrigada". A dizer, apenas, a quem nos deu luz.
domingo, 5 de setembro de 2010
E amar, então o que é amar?
De geração em geração, de século em século, de era em era muitos vão sendo aqueles que dissertam sobre o que o Amor.
Consensos parecem não existir.
Há quem o sinta numa mudança pele que, como por ofício, tem que levar a cabo; há outros que o sentem como resultado de um contrato a ser fielmente cumprido (não lealmente porque a lealdade é uma "coisa" que dá muito trabalho!); sendo que há pessoas que o vêm como uma panaceia para todos os males que as vinha achacando.
Não consigo olhar o Amor como nada disso!
E sei o que é o Amor.
Conheço o Amor - sou filha de um Amor maior, conheci o Amor, mas, melhor de tudo, vivo hoje um Amor Grande.
Quem experimenta o Amor sabe que nada mais fica igual.
É a revolução silenciosa que embrenha, passo a passo, todos os poros da Vida que vivemos e nos contagia com uma luz, uma luz tão inibriante, que nada mais tem a mesma cor.
Mas é, como dizia o eterno Poeta "a dor que dói e não se sente/é um contententamento descontente", pois o Amor obriga-nos a aprender tudo, mas tudo de novo: pois já as horas têm outro ritmo, os cheiros que nos povoam são diversos, a água que nos escorra no corpo é mais macia e, até mesmo, o silencio já é mais cheio. Já não é só nosso!
O Amor transforma-nos em novos Homens, eternos aprendizes da arte de viver.
E amar, então o que é amar?
Não é, seguramente, resultado de qualquer conquista, pois é nobre de mais para se recolher; não pode, nunca, ser a face acabada de um qualquer negócio onde a vontade impere.
Amar é, sempre, obra de um segundo, encontro não marcado, suspiro distendido, tecido de mãos de fada.
Amar é saber que, depois deste instante, outros milhões existirão, e que há um nó tão tecido que nada nos faltará.
Amar é, decerto, saber que não quero ser, nunca mais, feliz sozinha.
Consensos parecem não existir.
Há quem o sinta numa mudança pele que, como por ofício, tem que levar a cabo; há outros que o sentem como resultado de um contrato a ser fielmente cumprido (não lealmente porque a lealdade é uma "coisa" que dá muito trabalho!); sendo que há pessoas que o vêm como uma panaceia para todos os males que as vinha achacando.
Não consigo olhar o Amor como nada disso!
E sei o que é o Amor.
Conheço o Amor - sou filha de um Amor maior, conheci o Amor, mas, melhor de tudo, vivo hoje um Amor Grande.
Quem experimenta o Amor sabe que nada mais fica igual.
É a revolução silenciosa que embrenha, passo a passo, todos os poros da Vida que vivemos e nos contagia com uma luz, uma luz tão inibriante, que nada mais tem a mesma cor.
Mas é, como dizia o eterno Poeta "a dor que dói e não se sente/é um contententamento descontente", pois o Amor obriga-nos a aprender tudo, mas tudo de novo: pois já as horas têm outro ritmo, os cheiros que nos povoam são diversos, a água que nos escorra no corpo é mais macia e, até mesmo, o silencio já é mais cheio. Já não é só nosso!
O Amor transforma-nos em novos Homens, eternos aprendizes da arte de viver.
E amar, então o que é amar?
Não é, seguramente, resultado de qualquer conquista, pois é nobre de mais para se recolher; não pode, nunca, ser a face acabada de um qualquer negócio onde a vontade impere.
Amar é, sempre, obra de um segundo, encontro não marcado, suspiro distendido, tecido de mãos de fada.
Amar é saber que, depois deste instante, outros milhões existirão, e que há um nó tão tecido que nada nos faltará.
Amar é, decerto, saber que não quero ser, nunca mais, feliz sozinha.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Em busca
Num tempo em que as montras do Mundo imperam, num momento em que a juventude, a beleza e o dinheiro são ícones, agora em que parece que só os vencedores têm lugar, encontro muito pouca felicidade nos rostos e mingua a alegria.
Todos ou, pelo menos, quase todos dirão que a dificuldade dos tempos dita esta dor colectiva, este sofrimento compungido de quem se mostra, quase sempre, obrigado a ser infeliz.
Tenho para mim que nada disto é assim - nunca o Homem teve uma garantia de Vida tão longínqua, jamais teve o augúrio de, na generalidade, aceder aos meios necessários à sua subsistência, em nenhum tempo antes teve tantos "pequenos luxos", quase sempre desnecessários, para se envaidecer.
Então, pois, porquê tanta Vida amorfa, tanta paralisia de emoções, porque tem o Homem tanta pena de si próprio?
Nesta sociedade em que os bens estão todos, não para plantar nem para depois colher, mas sim para serem comprados, o Homem habituou-se a remédios faceis. Para tudo haverá uma solução, pensa, há apenas de investigar - o que é facil nesta sociedade de analfabetos informados - e depois comprar!
O Homem deste tempo desabituou-se de pensar em si.
Deixou de se importar naquele que é o seu desempenho na Vida e da Vida de todos os quais tocou: tanto quanto a informação, que corre a uma velocidade verdadeiramente estonteante, o Homem habituou-se a soluções faceis, daquelas em que se acha pouco do seu empenho e mais, muito mais, o que pode comprar; as soluções descartáveis!
Tudo porque o Homem se quis esquecer de si e de quem é!
Hoje busca na perecibilidade do que se compra e do que se vende a cura para as suas dores e quando, mesmo assim, o vazio é interminavel, acaba por querer descobrir no outro a alquímia da sua felicidade.
Foge de se ouvir, fustiga, de todas as formas que aprendeu, o silencio, que se apresenta como uma dor de que tem repulsa.
O silencio incomoda-o na constante interpelação a que ele já nada sabe responder.
Tudo porque o Homem se esqueceu que é medida de todas as coisas - a sua felicidade tem que, forçosamente, resultar do desenho dos seus sonhos, já não de um outro; mesmo e ainda que o outro seja uma parte de si.
É por isso que o Homem tem que voltar a si, mirar-se no espelho das suas emoções e encontrar-se no vazio: assim se salvando!
Pois só nessa busca, que terá de nunca cessar, é que há a certeza de se encontrar, de alcançar em plenitude a compreensão do seu lugar e, assim, vivê-lo.
Tudo o demais, para além de efémero, é-lhe estanho.
A Vida é um projecto belo de mais para que o devolvamos ao Criador ou que fique obnubilada pela desculpa da desgraça dos tempos.
Buscar, buscar sempre, dentro de nós o nosso caminho e sendo nós proprios, com o coração vazio de qualquer veneno e com olhar no firmamento: eis o elixir da unica verdadeira felicidade.
E quando, um dia, encantados convosco, cheios da boa alegria e com a chave da porta da felicidade, partilhem esse dom com o Mundo. Pois ficará mais rico!
Todos ou, pelo menos, quase todos dirão que a dificuldade dos tempos dita esta dor colectiva, este sofrimento compungido de quem se mostra, quase sempre, obrigado a ser infeliz.
Tenho para mim que nada disto é assim - nunca o Homem teve uma garantia de Vida tão longínqua, jamais teve o augúrio de, na generalidade, aceder aos meios necessários à sua subsistência, em nenhum tempo antes teve tantos "pequenos luxos", quase sempre desnecessários, para se envaidecer.
Então, pois, porquê tanta Vida amorfa, tanta paralisia de emoções, porque tem o Homem tanta pena de si próprio?
Nesta sociedade em que os bens estão todos, não para plantar nem para depois colher, mas sim para serem comprados, o Homem habituou-se a remédios faceis. Para tudo haverá uma solução, pensa, há apenas de investigar - o que é facil nesta sociedade de analfabetos informados - e depois comprar!
O Homem deste tempo desabituou-se de pensar em si.
Deixou de se importar naquele que é o seu desempenho na Vida e da Vida de todos os quais tocou: tanto quanto a informação, que corre a uma velocidade verdadeiramente estonteante, o Homem habituou-se a soluções faceis, daquelas em que se acha pouco do seu empenho e mais, muito mais, o que pode comprar; as soluções descartáveis!
Tudo porque o Homem se quis esquecer de si e de quem é!
Hoje busca na perecibilidade do que se compra e do que se vende a cura para as suas dores e quando, mesmo assim, o vazio é interminavel, acaba por querer descobrir no outro a alquímia da sua felicidade.
Foge de se ouvir, fustiga, de todas as formas que aprendeu, o silencio, que se apresenta como uma dor de que tem repulsa.
O silencio incomoda-o na constante interpelação a que ele já nada sabe responder.
Tudo porque o Homem se esqueceu que é medida de todas as coisas - a sua felicidade tem que, forçosamente, resultar do desenho dos seus sonhos, já não de um outro; mesmo e ainda que o outro seja uma parte de si.
É por isso que o Homem tem que voltar a si, mirar-se no espelho das suas emoções e encontrar-se no vazio: assim se salvando!
Pois só nessa busca, que terá de nunca cessar, é que há a certeza de se encontrar, de alcançar em plenitude a compreensão do seu lugar e, assim, vivê-lo.
Tudo o demais, para além de efémero, é-lhe estanho.
A Vida é um projecto belo de mais para que o devolvamos ao Criador ou que fique obnubilada pela desculpa da desgraça dos tempos.
Buscar, buscar sempre, dentro de nós o nosso caminho e sendo nós proprios, com o coração vazio de qualquer veneno e com olhar no firmamento: eis o elixir da unica verdadeira felicidade.
E quando, um dia, encantados convosco, cheios da boa alegria e com a chave da porta da felicidade, partilhem esse dom com o Mundo. Pois ficará mais rico!
Amor, muito Amor!
O Amor não é de festejos, nem de acenos, nem de comemorações.
O Amor faz-se no silêncio, nas meias palavras, muita vezes na distância.
Não precisa de ar para a combustão!
Apenas tem que ser nomeado: dizer "quero-te, estou aqui", "é aqui que quero estar", "é na tua pele que quero ficar". Nem que seja em silêncio; sobretudo em silêncio, aquele silêncio cheio, pleno, prenhe de emoções de quem sabe tudo ter.
Longe, perto, a meio caminho, esse Amor, o Amor, exibe-se sempre com garbo; nem que seja no encontro da luz dos olhos de quem ama, sobretudo nessa troca.
Vivo, em mim, esse Amor.
Vivo-o, marcado que o tenho na Alma, a cada minuto, porque me veio nos genes.
Sou obra de um Amor maior, de uma troca nunca exaurida de luz, de esperança, de Vida.
Olhá-los, em cada momento, é sentir que sim, que o Amor é eterno, que nas estações da Vida tudo permanece intacto na diferença porque o Amor é o selo.
Foi, assim, que aprendi a amar: com beatitude, com entrega, em pleno. Também porque só assim é amar!
É nesta longa lição que tudo encontro, em cada momento, porque ela é a resposta para todas as dúvidas: olhá-los é contemplar a certeza, o infinito, a eternidade.
Aquela que eu sou, fui buscando, sem cessar, aquela eternidade até que a encontrei em mim, logo, logo, sendo contemplada pelo Amor. Numa doacção sem limites.
Nunca puderei plagiá-los porque teceram uma obra perfeita, mas inspiro-me, sempre, nessa perfeição e trago-a, momento a momento, para aqui, para a Vida, buscando-a.
Hoje, sim, sou eu que faço a festa!
Aquela obra merece a visita de todos os amantes, os que amam por convicção: há 44 anos, por Amor, com Amor, pelo Amor, eles decidiram dizer "sim" e construiram-se um no outro.
Hoje sou eu! Pai, Mãe, estou inundada da vossa graça. Hoje tudo é Amor, muito Amor!
"Foi o tempo que passaste com a rosa que a tornou tão importante". Antoine de Ste Exupéry.
O Amor faz-se no silêncio, nas meias palavras, muita vezes na distância.
Não precisa de ar para a combustão!
Apenas tem que ser nomeado: dizer "quero-te, estou aqui", "é aqui que quero estar", "é na tua pele que quero ficar". Nem que seja em silêncio; sobretudo em silêncio, aquele silêncio cheio, pleno, prenhe de emoções de quem sabe tudo ter.
Longe, perto, a meio caminho, esse Amor, o Amor, exibe-se sempre com garbo; nem que seja no encontro da luz dos olhos de quem ama, sobretudo nessa troca.
Vivo, em mim, esse Amor.
Vivo-o, marcado que o tenho na Alma, a cada minuto, porque me veio nos genes.
Sou obra de um Amor maior, de uma troca nunca exaurida de luz, de esperança, de Vida.
Olhá-los, em cada momento, é sentir que sim, que o Amor é eterno, que nas estações da Vida tudo permanece intacto na diferença porque o Amor é o selo.
Foi, assim, que aprendi a amar: com beatitude, com entrega, em pleno. Também porque só assim é amar!
É nesta longa lição que tudo encontro, em cada momento, porque ela é a resposta para todas as dúvidas: olhá-los é contemplar a certeza, o infinito, a eternidade.
Aquela que eu sou, fui buscando, sem cessar, aquela eternidade até que a encontrei em mim, logo, logo, sendo contemplada pelo Amor. Numa doacção sem limites.
Nunca puderei plagiá-los porque teceram uma obra perfeita, mas inspiro-me, sempre, nessa perfeição e trago-a, momento a momento, para aqui, para a Vida, buscando-a.
Hoje, sim, sou eu que faço a festa!
Aquela obra merece a visita de todos os amantes, os que amam por convicção: há 44 anos, por Amor, com Amor, pelo Amor, eles decidiram dizer "sim" e construiram-se um no outro.
Hoje sou eu! Pai, Mãe, estou inundada da vossa graça. Hoje tudo é Amor, muito Amor!
"Foi o tempo que passaste com a rosa que a tornou tão importante". Antoine de Ste Exupéry.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Há sempre alguém que nos faz falta!
Ao longo do Caminho há as veredas!
Não caminhamos sozinhos, ainda que não olhemos para o lado.
Toda a Vida, cada instante da Vida, é vivida, ainda que não o saibamos, com a luz de muitos outros - os que nos amam.
É quase sempre com essa luz, que nem sempre conseguimos ver, que o Caminho se vai iluminando. Mesmo quando achávamos estar sós!
Somos, por isso, tecidos de nós, das memórias e dos outros, os que vivem em nós.
Mas o Caminho faz-se na ida e no regresso, na retirada, no vazio e no silêncio de estar só, desviando o olhar. Ficando só!
Um dia regressamos sempre a nós, deixando nos rostos de quem nos ama, o seu olhar doce, o seu enleio. Mas trazêmo-lo, também, qual ladrão de joias, para que possamos continuar ricos.
Coladas à alma veêm as saudades: as memórias de quem tem que vir mas sempre fica.
Ontem vi a saudade!
Era alva como a mais bela manhã, mas continha em si a noite mais escura: era suor; eram lágrimas, um olhar estendido e um abraço que fica nos braços.
Era Amor. Muito, muito Amor. Era, também, a esperança do reencontro e de todos os momentos serem, ainda, ainda mais, vividos, ainda mais sentidos, tatuados na alma.
Vi-lhes no olhar uma morte, súbita, mas que, também, ela logo morreu; vi-lhes no rosto o sorriso do reencontro anunciado.
Amamo-nos todos porque somos pele uns dos outros, porque respiramos o mesmo ar e porque só sabemos viver tudo partilhando, porque nada é só nosso.
Amamo-nos porque somos, cada um de nós, uma marca do Caminho; deste Caminho que os cinco sempre seguimos, par-a-par, ao longe mas sem distância.
Eu, que sou elo do meio, olho de onde vim e, depois, miro estas cabecinhas louras com o seu cheiro de meninos e o meu coração sorri.
Felizes, no paraíso, a crescer com a alma inundada de alegria, estes meninos têm dois miradouros para a Vida.
Mas sei que em todas as horas, em cada minuto, há sempre aquele alguém que lhes faz falta - um avô que é um prodígio e uma avó que é uma fonte!
Não caminhamos sozinhos, ainda que não olhemos para o lado.
Toda a Vida, cada instante da Vida, é vivida, ainda que não o saibamos, com a luz de muitos outros - os que nos amam.
É quase sempre com essa luz, que nem sempre conseguimos ver, que o Caminho se vai iluminando. Mesmo quando achávamos estar sós!
Somos, por isso, tecidos de nós, das memórias e dos outros, os que vivem em nós.
Mas o Caminho faz-se na ida e no regresso, na retirada, no vazio e no silêncio de estar só, desviando o olhar. Ficando só!
Um dia regressamos sempre a nós, deixando nos rostos de quem nos ama, o seu olhar doce, o seu enleio. Mas trazêmo-lo, também, qual ladrão de joias, para que possamos continuar ricos.
Coladas à alma veêm as saudades: as memórias de quem tem que vir mas sempre fica.
Ontem vi a saudade!
Era alva como a mais bela manhã, mas continha em si a noite mais escura: era suor; eram lágrimas, um olhar estendido e um abraço que fica nos braços.
Era Amor. Muito, muito Amor. Era, também, a esperança do reencontro e de todos os momentos serem, ainda, ainda mais, vividos, ainda mais sentidos, tatuados na alma.
Vi-lhes no olhar uma morte, súbita, mas que, também, ela logo morreu; vi-lhes no rosto o sorriso do reencontro anunciado.
Amamo-nos todos porque somos pele uns dos outros, porque respiramos o mesmo ar e porque só sabemos viver tudo partilhando, porque nada é só nosso.
Amamo-nos porque somos, cada um de nós, uma marca do Caminho; deste Caminho que os cinco sempre seguimos, par-a-par, ao longe mas sem distância.
Eu, que sou elo do meio, olho de onde vim e, depois, miro estas cabecinhas louras com o seu cheiro de meninos e o meu coração sorri.
Felizes, no paraíso, a crescer com a alma inundada de alegria, estes meninos têm dois miradouros para a Vida.
Mas sei que em todas as horas, em cada minuto, há sempre aquele alguém que lhes faz falta - um avô que é um prodígio e uma avó que é uma fonte!
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