Sou mais de fazer a festa por tudo o que revolucionou a minha própria Vida.
E, por isso, desde há uma meia dúzia de anos que venho, passo a passo, a chegar-me ao dia de Halloween, pois que tendo aprendido o que se comemora, percebi que para mim teria todo o sentido, também, festejá-lo.
O povo Celta, regulando-se pela religião Wicca, festejava a noite de dia 31 de Outubro, o Samhain, como sendo aquela em o Deus Cornífero, o principio Masculino de todo o Universo, morria, após se ter apaixonado e festejado o amor com a Deusa Virgem, que fica grávida. Por isso o dia de todos os fins e começos e também a comemoração do Ano Novo Celta.
Mas aquela era uma morte diversa, posto que a alma do Grande Deus vive na criança não-nascida, a nova vida no ventre da Deusa Virgem.
Razão por que existe a crença de que é este o momento ideal para honrar os mortos, pois que nele os véus que separam os mundos estão mais finos, sendo possivel àqueles que morreram no ano anterior e aqueles que estão reencarnando passarem atraves dos véus e portais nessa noite, sendo, por isso, primordial iluminar-lhe o caminho com uma vela acesa em cada uma das nossas janelas.
E, nessa medida, é o momento do regresso dos espiritos dos mortos.
Por isso esta, também, será para mim uma noite de festa.
Depois de muito caminhar aprendi que a qualidade da relação que mantemos connosco, talqualmente aquela que mantemos com as nossas memórias, é que nos torna sadios ou mais atarantados.
Só o Homem que se defronta, sem encobrir a dor e desbravando o medo, pode um dia chegar até si: os seus recantos, as suas marcas, os seus atavios nunca lhe poderão ser omitidos, têm necessariamente de ser vividos. Pois que, apenas nesse momento, pode o Homem contemplar-se como uma obra prima e achar-se na sua plenitude.
O mesmo se passa com as memórias, aquelas que o poeta canta como "os livros escondidos no pó": um dia, perto ou longe, o Homem tem que olhá-las ou, pelo menos, mirá-las, para que entenda quem é, sabendo o que foi, quem foi importante na sua rota e quem lhe faz falta. São os espiritos mortos, ainda de quem possa estar vivo.
É o momento de entender que, por mais que o passado tenha sido doce, um momento de adeus ou uma pintura que ficou por terminar, é no presente que a Vida flui e que ela, prenhe dos sonhos, se revela sempre em todo o seu esplendor.
É, por isso, o Tempo de acender uma vela para que, com todo o nosso Amor, todos os espiritos voltem à sua morada e, apaziguados, vivamos de novo.
Será com uma luz muito brilhante, postada na janela, que festejarei ao espirito do Amor, ao começo de uma Vida nova.
É Preciso Aprender a Amar
Que se passa para nós no domínio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade — para o suportar, mau-grado a sua novidade — para admitir o seu aspecto, a sua expressão fisionómica — e de caridade — para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que já estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fiéis encantados que não pedem mais nada ao mundo, senão ele, ainda ele, sempre ele.
Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que apendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.
Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que apendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.
Friedrich Nietzsche

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