Nestes tempos de "montras mundanas", onde ao invés do que somos, o nosso "target" é medido por tudo aquilo que podemos exibir - e, desse modo, mostrar ao Mundo, a enorme importancia a que estamos votados!!! - vivo, a cada dia que passa, o enorme escolho de conseguir distinguir o falso do verdadeiro!
Este "drama", que penso não ser só meu, é, claro, acentuado em mim, porque sempre serei a mais prosaica das inocentes, posto que quando a ultima se tiver rendido, ainda eu cá estarei sem ter dado conta...
É o bom custo da opção de ser feliz, cultivando a Verdade, pois a Verdade é sempre, ela mesma, inocente.
E, é mesmo por isso, que a duvida se instala sempre; é uma constante com que vivo.
Nunca sei - mas penso que posso falar em nós - se o cabelo da senhora que está na fila da caixa do supermercado é mesmo louro ou é a ultima mistificação que ela pediu ao cabeleireiro para iludir a idade; como nunca hei-de conseguir descortinar se o decote mais rechonchudo da colega, logo depois das férias, é fruto dos multiplos gelados, será bébé a caminho ou foi resultado de um desvio por um dos famosos consultórios dos cirurgiões mágicos/plasticos tão em voga.
Mas isso não interessa nada! Mas não interessa mesmo; até porque quem sou eu, quem somos nós, para tomar em tino a cor do cabelo ou o tamanho do decote que não é nosso!
Já não é assim quando se fala de afectos! Dos afectos que nos suscitam, que nos "dão", que de nós querem levar!
Esse, sim, é um momento em que o falso e o verdadeiro não são um teste de resposta de modelo aleatório, nem a que se possa responder como calhar.
Pois essa é uma resposta que poderá questionar-nos para sempre!
No hoje vivemos o tempo da diversidade - a par do utilitarismo, do consumismo e da necessidade, encontramos, claro, o Amor.
Encontramos comummente a Pessoa que se chega, dos mais diversos modos, a uma outra para que dela possa absorver tudo o que necessita: dinheiro, carreira, status, como se estivesse num corredor de bricolage e daí fosse retirando tudo o que precisa para construir uma Vida melhor. O afecto não conta e o melhor mesmo é que não exista, pois desatrapalha!
Há, ainda, o Homem consumista, o que vive de galho em galho, sem nunca querer pousar, pois nunca o conseguirá. Afinal ele não pode ver o que tem dentro de si próprio e, por isso, foge de si proprio, predando o afecto de outrem, que consome rapidamente, para logo, logo, começar tudo de novo.
A necessidade é outro dos motores da aproximação que, nestes tempos, vigora entre os seres humanos: a solidão mata! O estar só é o motivo desencadeador de uma busca insana, desgarrada e quase insolente de companhia, alguém (tudo o que mexa!!!) que nos faça sentir menos mal: também, afinal, não há som mais ensurdecedor do que o silencio vazio.
Ao lado de toda esta fancaria, o peschispeque das emoções, há uma verdadeira jóia: o Amor.
O que surge sem hora marcada, não tem prazo de validade, não tem alvo à vista e, antes de tudo, é um sinal. Um sinal de profundo e emocionado bem-querer é, antes de mais, sinal de querer bem por si proprio: pois só logra amar quem se ama.
Essa joia de verdade, que está guardada no mais recondito de cada um de nós, e muitas vezes teima em se deixar mostrar, precisa de um ninho, de ser acolhida e depois, muito, mas muito, acarinhada.
Como todas as joias, tem que ser cuidada, bem guardada e, ainda de mais, tomada como uma verdadeira riqueza e afortunados os que a detenham.
Conheço quem ama como quem detém uma joia: e testemunho como é belo assistir à troca da luz dos seus olhares, tenha passado o tempo que passou; assim como é magnifico entender que os seus corpos, os seus corações e as suas almas são já uma dádiva que ambos se fizeram e, por isso, só por isso, nada lhes é estranho e tudo lhes pertence.
Para mim, hoje, algo é certo: o amealhar de boas emoções, como a poupança de uma vida, traz-nos sempre uma joia de verdade: basta ter a sabedoria da espera do estremecimento e aprender a escrutinar a verdade das jóias.

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