Ao longos dos dias que já fui vivendo encontrei gente para quem é suposto que o Amor seja uma condição ditada por não sei quantas condições...
O certo é:
- que amemos os nossos filhos, então, afinal, eles não são os nossos filhos?
- que haja amor aos nossos pais, pois eles são os nossos pais;
- que se goste da mulher ou da companheira (pois há ainda gente para quem a distinção é vital, nomeadamente por razões de pertença, tanto da pessoa como dos bens!!!) afinal sempre é com quem vão vivendo e, algumas vezes, têm os filhos!
- que, por vezes, se tenha algum afecto (mas apenas afecto, porque amor faz perigar o papel "sacro-santo" dos pais) pelos avós, porque até eles vão aparecendo, de vez em quando!
Graças a Deus, a minha escola do Amor é das melhores e, com garbo, me orgulho de afirmar que ali leccionam dos melhores - pois ainda me assumo como aprendiz, uma eterna e orgulhosa aprendiz, razão porque do pouco, muito pouco que sei, avulta que o que mais importante que nos liga, não são os laços do sangue, mas os laços do Amor.
E estes não se escolhem, escolhem-nos!
A natureza (ou eu escolhi, ou Deus ofereceu-me, ainda não sei bem!!!) uma mãe e um pai que são uma benção e, é por isso, que os amo de uma forma desgarrada. Mas por isso.
Mas o Amor ofereceu-me uma outra mãe e um outro pai, que, de uma diferente forma, cuidaram de mim e me ensinaram coisas tão belas que, todos os dias, quando olho o céu estrelado, sei que eles brilham para mim, pois já estão longe.
Agora mesmo, faz pouco tempo, o Amor quis beneficiar-me com aquele que eu digo, a brincar, que é o meu pai, entre o do Céu e o da Terra.
Um outro pai, que me ensina a pensar o Amor e a entender os designios da Vida; um Mestre, o meu Mestre, portanto.
Do sangue vieram, também, os meus filhos! Mas não é pelo sangue que os amo.
Amo-os? Já não sei se os amo, se os adoro, se me misturo com eles!
Sei que, cada dia que passa, há uma mescla de emoções que nos enreda, que nos torna mais juntos, que faz prespassar um sentir que não tem nome, mas que já não é só Amor.
Mas não é pelo sangue que os amo. É pelo encontro da emoção entre o tanto que eles me dão e aquele muito que eu lhes pretendo mostrar! É pelo sentir que são os meus meninos, embora saiba que nunca o serão, porque apenas eu sou a mãe deles. Eles são gaivotas à solta pelo firmamento em voo rasante!
Mas se o ventre apenas me ofereceu o Pedro e a Maria, o Amor vem-me oferecendo muito a quem amar!
E é, por isso, que me preocupo se a Joaninha está bem e o meu coração bate mais quando ouço "Olá tia Mizé"; por isso quis saber como foi o primeiro dia de escola a "sério" da Leonor; é só por isso que tanto me agrada saber como é bem sucedido o Miguel!
É, também, por esse fio invisivel que fico muito feliz quando, olhando de revés, vejo a Margarida feliz porque se está a divertir num dos bailes onde, como eu, tanto gosta de dançar; é, por esse mesmo fio, que ao longe, me lembro daquele "menino grande" e me interrogo "o que poderia fazer pelo Luis?".
E se a natureza não me deu irmãos, sou a morgada mais acompanhada que conheço!
Os amigos - aquela tribo maravilhosa que vem sempre comigo, esteja eu onde estiver - são a prole que o Amor colocou ao meu lado nesta vida tão desafiante.
Foi e é com eles que cresci e sigo em frente, todos os dias, dia após dia.
São eles que peneiram o que de melhor a vida, o mundo e as pessoas me podem oferecer e muitas vezes, tantas vezes, são o escudo que me protege. Muitas vezes esquecendo que foi no desolhado da vida que eu me fiz quem sou.
E, é sempre neles, que me revejo: no branco dos seus olhos.
Por isso, quase sempre, ao acordar me lembro da Ana e dos desafios que tem a cumprir, do João e da sua bonomia, da minha Anita e da sua familia perfeita, do seu (e um pouco meu, também) João, do Zeca e das suas viagens, do Carlitos e das suas eternas dores, da João e das tremendas saudades que lhe tenho, do João Pedro e do dia em que vou voltar a revê-lo, do outro Pedro, lá longe e dos seus imensos, enormes desafios, do Carlos e da busca incessante de si proprio, da Teresa e do Arnaldo, as pessoas mais aconchegantes que conheço. Mas, sempre, da Rita e da paz que teima em não chegar e agora da Maria, a mais recente ocupante desta viagem. E está lá, sempre, a Elina. A grande timoneira!
E, sei, que é com eles que vou estar quando vier a chuva e o frio apertar, como é com eles que divido o tórrido sol do Verão; pois só com eles, todas as estações desta vida têm uma cor mais viva.
É, por tudo isto, que sei que o Amor não tem lugar marcado e, por sorte, tem sempre lugar para mais um. Basta que saiba vivê-lo!

magnifico texto.
ResponderEliminarágua que mata a sede dos desassosegados.
obrigada por partikhar com o mundo o seu dom.
um enorme abraço