sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O Mapa dos Afectos

Tenho para mim que o melhor do Mundo é mesmo o Amor.
Nada se lhe iguala!
E nem é pela paixão; não é, sequer, pela alegria que nos transmite, nem mesmo pela ternura, o aconchego do fim de dia, como o fogo mais quente da lareira mais prazenteira.
É pela mescla, é a mistura, a troca, a intimidade de quem já nada tem só seu, a não ser o pensamento.
O Amor dá-nos o poder divinatório de entender, sem saber, todos os recantos do outro: só pelo seu olhar, pelo seu refulgar, até pelo seu pôr de mãos sabemos o que está a sentir, a viver, até a sofrer, ou até em quem se transformou.
Depois de amar, depois de sermos o outro, já quando não somos mais os mesmos, o nosso coração, a nossa Alma, até o nosso corpo passa a ser um templo, que, também, já não é só nosso.
É morada e destino, é marco e berço. É, sempre, ponto de passagem e, quase sempre, ponto de paragem.
E é, por isso - só mesmo por isso - que o Amor é a mais silenciosa das revoluções, que acontece muito antes de se saber, cujos detonadores estão postados em campânulas e vitrais para se dissimularem, e cujo emissário é, quase sempre, pouco mais do que um sopro.
É poderoso, portanto!
Marca e deixa marca.
Temos, por tal, que assinalá-lo no mapa dos afectos: nomeá-lo! Porque o Amor não se sente, não se vive em silêncio, nem na sombra, nem na distância.
O Amor vive-se na troca dos fluidos, no ler o outro de olhos fechados, em reconhecê-lo pelo cheiro, nas gargalhadas soltas a dois, na dança da manhã e no bezuntar do creme mais macio. Só isso é Amor!
E se um dia, ao amanhecer, sentires que já não és mais tu, quando o primeiro bater de pestanas que tão ao longe, alguém, sem saber, deu para ti, vai. Nada temas.
O Amor é mágico, dá-te tudo, mas mesmo tudo, desde que tu nada temas.
Só há uma condição: entrega-te - como um menino nos braços de sua mãe.


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