Há quem tenha o prodígio de poder viver mais do que uma vida: eu conto-me entre esses eleitos.
Não porque tenha algo de especial (e não temos todos!?) mas porque a vida me escolheu.
Nesta nova vida que inaugurei, faz já um tempo, tenho tido a alegria, a ventura, a tremenda felicidade de seguir jornada com velha "gente" que fui reencontrando.
Não que estivessem perdidos, não, porque os seus pedaços estavam contidos em mim; só que numa sombra tão longínqua que mais pareciam pequenos poloroids, a preto e branco e em papel mate, que muitas vezes me faziam desconfiar, mesmo, se realmente tudo não passara de um belo sonho.
Hoje sei que sim!
Foi tudo um belo sonho, foram pedaços de sonhos muito bonitos que fomos partilhando, no dia-a-dia.
Eu e eles, eu e os amigos que a vida me trouxe de novo.
Têm sido momentos de emoção comovida mas, tanto mais, de dádiva partilhada - fui como pegar no cordel da vida, segurá-lo bem, agora juntos, e começar a desenrolá-lo, dividindo um sorriso, às vezes lagrimas, muitas vezes festa, outras passeio, alguns almoços e jantares, milhentos telefonemas sem fim; mas, sobretudo, cumplicidade.
Antes e depois de tudo, um amor fino, acolhedor, íntimo e de braços abertos!
E, se olhar este novo retrato de vida é consolador, desculpem-me, meus queridos, o melhor foi o que descobri de mim.
É verdade.
O melhor do reencontro é sempre o que resgatamos de nós e que já nem adivinhávamos ser: e eu encontrei jardas e jardas de mim neste encontro da memória, nesta onda de abraços, nesta miscelânia de almas.
Soube-me mais minha, mas, antes de tudo, senti, que nunca o fui.
Fica uma certeza, que é, antes de mais, um dogma: amo-me; mas amo-me muito mais porque todos vós estão em mim e hoje somos uma meada.

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