quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Memórias

E de repente, o vazio.
E de rompante, sem aviso, uma nova etapa se nos afigura no Caminho.
Mais um belo desafio!
A aventura de viver.
Nem sempre com os olhos plenos de Vida, por vezes sem aquela Luz imensa que nos inunda nos dias de claridade única, faltando aquele balanço tão doce do tique-taque costumeiro de um coração maior, mas sabendo-nos vivos! Com os olhos abertos ao Mundo, com cada um dos dias que a Vida nos oferece como dádiva para saborear, momento a momento, e com um coração que palpita pelo Amor maior que descobrimos sermos nós, naquele que foi o maior de todos os encontros.
"Tudo é foi", diz o poeta, um dos maiores.
Desminto-o.
Se é certo que o Tempo usura o que é perecível - o Homem envelhece, as pedras tomam novas formas, a madeira apodrece - e faz esmorecer muitas memórias - não lembro qual a ultima vez que visitei um cabeleireiro, nem sequer o modelo do telemovel que uso - certo é que todas as memorias do afecto estão intactas, não se fazendo sentir o efeito do grande Mestre: como esqueceria o primeiro olhar que troquei com cada um dos meus filhos, como olvidar o espelho do olhar do homem que mais amo, como lançar no esquecimento o calor do abraço que recebo de cada um dos meus pais e a doçura sempre presente de cada uma das palavras dos meus amigos, aqueles anjos disfarçados de pessoas, que voam para o meu coração quando o pressentem doer.
São estas lembranças de afecto, de amor fino, que nos tornam melhores, mesmo quando a Luz é baça, ainda quando o coração bata a um só ritmo, o lento e o olhar se queda - fazem-nos saber pessoa.
E quem se sabe pessoa nunca deixa de saber, também, ser sempre o princípio e o fim, semente de revolução, epopeia e sempre, mas sempre, Caminho. Um Caminho. Seja ele qual seja.
As memórias são o prólogo de um livro aberto, o que já foi escrito e lido a tantas mãos e com tantos olhares - a Vida já vivida - mas, são, principalmente, o esteio do que está por prosar.
É, por isso mesmo que, um Homem sem história é um Homem sem amanhã.
Ao honrarmos a nossa historia, dizemos sim ao futuro.



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