Tudo como se fosse a primeira vez.
Nada como se fosse uma emergência já vivida pelos tantos milhões que já são estrelas.
Mas de que se trata quando se disserta de toda esta temática tão supostamente aterradora?
De nada do que o Mundo fala, digo eu.
O tempo é o, sim, de absoluta interpelação ao Eu, pelo quanto são as traves e o cimento de quem somos - afinal os valores, que como candeias nos permitem abrir caminho pelas veredas em que nos passeamos pela Vida.
Em cada tempo, pelo que de evolução o Homem regista, parece que o imutável deixou de existir: do absoluto ao relativo, nada mais é suficientemente perene para ser a verdade e, nessa medida, ser eterno.
De um relógio de corda, acertado ao ritmo do anúncio das horas na radiodifusão, que tinha a vida resguardada em várias gerações, pois de avô a pai, a filho e neto, sempre chegaria ao pulso do bisneto quase todos hoje somos portadores de tantos contadores do tempo, muitos descartáveis, pois estamos acudidos pela acutilância do instável.
É verdadeiro desafio, hoje como sempre, mantermo-nos íntegros e inteiros, mesmo e ainda que isso signifique abdicar do que nos é grato: é saber, como verdade, que tudo o que realmente importa não perece com os tempos, antes mais forte se modela.
É saber que o efémero é tão-só o que não habita em nós, o que cabe em malas e maletas, em sacos e saquetas; não já o que tem cómodo tanto na Alma, quanto no coração.
E que por isso, qualquer que seja a novidade que nos alicie, a derrota que nos fustigue, o deslumbre que se mostre há apenas uma forma de continuar a viver: é sendo, sem armadura, nós próprios, com a carga de liberdade, sonhos e dignidade que nos faz únicos.
Vida
Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
Walt Whitman

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