Uma armadura, nem sempre valente, muitas vezes disforme, outras tantas em harmonia. Bela, ainda.
Mas quem já viveu sabe que muito mais está para além, depois do que existe na marca do olhar.
Nenhum Homem, nunca, terminou pelas margens do que é o seu corpo.
O Homem é, mais que tudo, a substância dos seus sonhos.
Aquele que ousa aprontar-se ao encontro de todos os desafios, sejam eles o combate de lutar pelo seu igual que sofre o rude golpe da injustiça - que brava é cortante, como o de impôr com um sorriso a verdade de que o Homem só o é quando se arma Cavaleiro Andante, vive de sonho.
Cavaleiro Andante, ele que segue montado num fogoso cavalo e nele vai pelo Mundo, calcorreando cada vereda, todas as esquinas, esgotando todos os recantos. Porque em todos ele vive, ali se encontra, em todos se esvai, por ali se encontra sempre.
Cavaleiro Andante, ele que encontra a humanidade do seu igual no companheiro de andamento, Sancho, o infatigável amigo, o que lança tantas das sementes que ele, Cavaleiro, acaba por apreciar já em flor nas veredas do Caminho.
Cavaleiro Andante, ele que sabe que nunca o poderia ser, em verdade, sem uma musa, Dulcineia, a sua Dulcineia, pois. Poema escrito em forma de mulher que se quer dita em cada hora de cada dia que passa, deixando-se navegar na trova do vento que ela é. Musa porque sabe ser aquele o seu Caminho.
E se o segredo deste Cavaleiro Andante é apenas o sonho, mesmo o único segredo para que se opere a verdadeira revolução, a do encontro ao Eu e a busca de se ser feliz, o seu código é Dulcineia, a musa que o inspira a sonhar.
Então feitos Cavaleiros, sabemos, finalmente, que a carne e o sangue pouco importam quando sabemos sonhar.
Mergulha nos Sonhos
mergulha nos sonhos
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)
confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)
honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)
não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)
E.E. Cummings
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)
confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)
honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)
não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)
E.E. Cummings

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