quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Lado a Lado
Nascidas meninas, crescidas mulheres.
Foi há muito, tanto, tanto tempo que nos olhámos pela primeira vez; mas da fortaleza desse primeiro vislumbre, tímido mas seguro, ficou a memória de uma esperança de futuro. Aquele em que, hoje, nos encontramos.
Corria o ano de 1983 e nós corríamos, também, mas para a vida.
Sôfregas, mas com calma. Como sempre.
Irmanadas, mas morgadas. Ambas, também.
Votadas na ânsia de trazer o desconhecido até nós, mas invariavelmente com o brilho de quem descobre uma nova estrela.
Com os olhos votados nos nossos Mestres, os professores que a ambas desafiaram, mas com eles atentando tanto, ainda mais, nos camaradas de brincadeira e aventura.
Dedilhando, folha a folha, cada livro como um relicário que buscávamos como devoção, mas felizes, sobretudo, por cada nova experiência de vida ao vivo.
Destacadas pela vontade de crescer, mas não só nas letras, como na plenitude de nos distribuirmos pelo Mundo.
Crentes em nós, seguras em todos.
Passo-a-passo, pela planura dos dias, nos fomos fazendo mulheres.
Até que chegou 1986, apenas três anos após, e a hora de seguirmos diversos trilhos.
Uma quis conhecer a História, inclinou-se pela aventura do jornalismo e decidiu-se pela escrita; sendo, sempre, sempre, invariavelmente brilhante. Nas artes, como na vida.
Mantendo-se intrépida, única e igual a si mesma. Mas melhor, muito melhor, a cada segundo que se inaugura.
A outra desejou conhecer as regras que o Homem dita, sonha com a poesia e tenta encontrar-se todos os dias pela aventura de amar, amando muito. Quer sonhando com um Mundo melhor, quer amando todos que lhe enfeitam o coração.
Aquiestou-se um tanto, mantendo-se, todavia, liberta como uma gaivota, segura como uma âncora e frágil como um cristal da Bohemia. Buscando-se sempre.
Entre nós há 27 anos de recordações, de cumplicidade, de saudades do futuro.
Isto sem que seja possível descontar os quase 24 anos que estivemos em silêncio mas sempre sabendo-nos uma da outra, ligadas pelo fio invisível que se chama tudo.
Eu dei-lhe o Pedro e a Maria, que adoram a "tia" Maria João; ela dá-me a beleza única do aconchego das palavras que ditam afecto; como hoje, em dedicatória, no seu belíssimo romance "Como o Ar que Respiras".
Damo-nos, como sempre foi, em alegria magnânima, o mesmo primeiro olhar e a mesma esperança no futuro, vivendo muito.
Sendo sempre irmãs.
Para ti Maria João Martins, a mais cúmplice das irmãs.
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