quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

E o código, Dulcineia...

De tudo o que é visível pouco resta ao Homem para além da carne e do sangue, osso, também.
Uma armadura, nem sempre valente, muitas vezes disforme, outras tantas em harmonia. Bela, ainda.
Mas quem já viveu sabe que muito mais está para além, depois do que existe na marca do olhar.
Nenhum Homem, nunca, terminou pelas margens do que é o seu corpo.
O Homem é, mais que tudo, a substância dos seus sonhos.
Aquele que ousa aprontar-se ao encontro de todos os desafios, sejam eles o combate de lutar pelo seu igual que sofre o rude golpe da injustiça - que brava é cortante, como o de impôr com um sorriso a verdade de que o Homem só o é quando se arma Cavaleiro Andante, vive de sonho.
Cavaleiro Andante, ele que segue montado num fogoso cavalo e nele vai pelo Mundo, calcorreando cada vereda, todas as esquinas, esgotando todos os recantos. Porque em todos ele vive, ali se encontra, em todos se esvai, por ali se encontra sempre.
Cavaleiro Andante, ele que encontra a humanidade do seu igual no companheiro de andamento, Sancho, o infatigável amigo, o que lança tantas das sementes que ele, Cavaleiro, acaba por apreciar já em flor nas veredas do Caminho.
Cavaleiro Andante, ele que sabe que nunca o poderia ser, em verdade, sem uma musa, Dulcineia, a sua Dulcineia, pois. Poema escrito em forma de mulher que se quer dita em cada hora de cada dia que passa, deixando-se navegar na trova do vento que ela é. Musa porque sabe ser aquele o seu Caminho.
E se o segredo deste Cavaleiro Andante é apenas o sonho, mesmo o único segredo para que se opere a verdadeira revolução, a do encontro ao Eu e a busca de se ser feliz, o seu código é Dulcineia, a musa que o inspira a sonhar.
Então feitos Cavaleiros, sabemos, finalmente, que a carne e o sangue pouco importam quando sabemos sonhar.






Mergulha nos Sonhos


mergulha nos sonhos
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)

confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)

honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)

não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)

E.E. Cummings

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Lado a Lado




Nascidas meninas, crescidas mulheres.
Foi há muito, tanto, tanto tempo que nos olhámos pela primeira vez; mas da fortaleza desse primeiro vislumbre, tímido mas seguro, ficou a memória de uma esperança de futuro. Aquele em que, hoje, nos encontramos.
Corria o ano de 1983 e nós corríamos, também, mas para a vida.
Sôfregas, mas com calma. Como sempre.
Irmanadas, mas morgadas. Ambas, também.
Votadas na ânsia de trazer o desconhecido até nós, mas invariavelmente com o brilho de quem descobre uma nova estrela.
Com os olhos votados nos nossos Mestres, os professores que a ambas desafiaram, mas com eles atentando tanto, ainda mais, nos camaradas de brincadeira e aventura.
Dedilhando, folha a folha, cada livro como um relicário que buscávamos como devoção, mas felizes, sobretudo, por cada nova experiência de vida ao vivo.
Destacadas pela vontade de crescer, mas não só nas letras, como na plenitude de nos distribuirmos pelo Mundo.
Crentes em nós, seguras em todos.
Passo-a-passo, pela planura dos dias, nos fomos fazendo mulheres.
Até que chegou 1986, apenas três anos após, e a hora de seguirmos diversos trilhos.
Uma quis conhecer a História, inclinou-se pela aventura do jornalismo e decidiu-se pela escrita; sendo, sempre, sempre, invariavelmente brilhante. Nas artes, como na vida.
Mantendo-se intrépida, única e igual a si mesma. Mas melhor, muito melhor, a cada segundo que se inaugura.
A outra desejou conhecer as regras que o Homem dita, sonha com a poesia e tenta encontrar-se todos os dias pela aventura de amar, amando muito. Quer sonhando com um Mundo melhor, quer amando todos que lhe enfeitam o coração.
Aquiestou-se um tanto, mantendo-se, todavia, liberta como uma gaivota, segura como uma âncora e frágil como um cristal da Bohemia. Buscando-se sempre.
Entre nós há 27 anos de recordações, de cumplicidade, de saudades do futuro.
Isto sem que seja possível descontar os quase 24 anos que estivemos em silêncio mas sempre sabendo-nos uma da outra, ligadas pelo fio invisível que se chama tudo.
Eu dei-lhe o Pedro e a Maria, que adoram a "tia" Maria João; ela dá-me a beleza única do aconchego das palavras que ditam afecto; como hoje, em dedicatória, no seu belíssimo romance "Como o Ar que Respiras".
Damo-nos, como sempre foi, em alegria magnânima, o mesmo primeiro olhar e a mesma esperança no futuro, vivendo muito.
Sendo sempre irmãs.

Para ti Maria João Martins, a mais cúmplice das irmãs.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nós Próprios

Vivemos enxameados pela palavra "crise", pelo soluto do "irresolúvel" e a esperança é um caldear que parece ter-se esvaído.
Tudo como se fosse a primeira vez.
Nada como se fosse uma emergência já vivida pelos tantos milhões que já são estrelas.
Mas de que se trata quando se disserta de toda esta temática tão supostamente aterradora?
De nada do que o Mundo fala, digo eu.
O tempo é o, sim, de absoluta interpelação ao Eu, pelo quanto são as traves e o cimento de quem somos - afinal os valores, que como candeias nos permitem abrir caminho pelas veredas em que nos passeamos pela Vida.
Em cada tempo, pelo que de evolução o Homem regista, parece que o imutável deixou de existir: do absoluto ao relativo, nada mais é suficientemente perene para ser a verdade e, nessa medida, ser eterno.
De um relógio de corda, acertado ao ritmo do anúncio das horas na radiodifusão, que tinha a vida resguardada em várias gerações, pois de avô a pai, a filho e neto, sempre chegaria ao pulso do bisneto quase todos hoje somos portadores de tantos contadores do tempo, muitos descartáveis, pois estamos acudidos pela acutilância do instável.
É verdadeiro desafio, hoje como sempre, mantermo-nos íntegros e inteiros, mesmo e ainda que isso signifique abdicar do que nos é grato: é saber, como verdade, que tudo o que realmente importa não perece com os tempos, antes mais forte se modela.
É saber que o efémero é tão-só o que não habita em nós, o que cabe em malas e maletas, em sacos e saquetas; não já o que tem cómodo tanto na Alma, quanto no coração.
E que por isso, qualquer que seja a novidade que nos alicie, a derrota que nos fustigue, o deslumbre que se mostre há apenas uma forma de continuar a viver: é sendo, sem armadura, nós próprios, com a carga de liberdade, sonhos e dignidade que nos faz únicos.






Vida



Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Walt Whitman

domingo, 9 de janeiro de 2011

O Encontro

No respaldar dos dias que escorrem vamo-nos encontrando, a nós e a todos os demais, tantos quantos se dividem connosco.
E como de encontro se trata, de cerimónia assim é.
Começamos, invariavelmente, por enfeitarmo-nos: no coração e no corpo.
Mais do que nunca, a pele ganha uma maciez aveludada, o odor transporta-nos para todas as primaveras de campo e cresce a magia de um olhar agora transportado para um universo tão menos longínquo quanto mais promissor.
Também no coração se instala a festa da Vida.
Ali começam por nascer todos os enlevos, o toque daquele relógio é, agora, de um diferente fulgor e a História de todas as história tem ali o seu prólogo.
E, então, se seguem os ritos, quantas vezes sem cânones, muitas vezes com aquele medo que o não é, mas sim uma medida diversa de devaneio e embaraço mitigado pelo ensejo, quando não pelo desejo, de se ser o que já se é: nós e o outro.
E vem uma palavra, segue-se um gesto e logo, logo um olhar, quase sempre um sorriso e já não somos nós!
Somos nós e as imensas gargalhadas de miúdos ladinos pela enorme traquinice que enfabulámos, encantados pela sucessão de palavras loucas que dividimos tanto quanto pelo abrigo que é a concha das mãos do outro que sempre consigo nos tem.
E em cada momento em que, como velas ao vento, sentimos rumar, seja qual for do destino daquele sopro, já que agora, que tudo é novo e de brilho, sabemo-nos ímpares: pois um busca o outro, buscando-se a si no outro, pois o outro é já um eu, sendo também ele.
E tecem-se sonhos, filigrama de almas com Vida, e em nós novos pedaços encontramos, aqueles que nem sabíamos ter: as lágrimas prenhes de um novo contentamento, este mais doce e feliz, mas intenso e cúmplice; as palavras agora incontidas que antes eram enoveladas em metáforas ricas de sons e imagens mas paupérrimas ao dizer; a liberdade de sentir que o novo será sempre novo porque queremos fazer dele a novidade de viver, a renovação de cada segundo em que a Vida se nos oferece.
E descobrimo-nos no milagre do encontro, do encontro que é, pois, um milagre.
O milagre de estar não só vivo, mas de viver, de se encantar com os fiapos, com os véus e o translúcido; o que, de tão vago, parece não existir mas é a corda mais encorpada do nós.
O murmurio do "amo-te".




Da verdade do amor


Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino Mendonça



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Na Luz desse Olhar

Quem são as pessoas que amamos?
São, claro, os rostos com vida que emolduramos na Alma e que connosco seguem, logo ali, na segunda camada da pele.
Cada um deles é, também, por quem passamos a respirar, pois é que são já uma parte que é parte de nós.
Enfeitam-nos a Vida como nos preenchem, ainda, coração no coração.
Esse é o rosto que se nos afigura, a nós, que os olhamos, mirando, na parcela de infinito que em nós vivem.
Mas a primordial questão continua: quem são eles afinal?
A definição do que somos faz-se pela Luz que vertemos: como janelas abertas ao Mundo, os nossos olhos fazem desaguar tudo o que a Vida nos trouxe, tudo o que dela soubemos arrecadar, mais o quanto nos amaram e fomos doando, dando e partilhando. Tudo nós!
Essa Luz, um foco primordial, é mais que uma impressão digital; é que esta é carne, perecível assim; já a Luz é etérea e nunca se desfaz nas horas dos dias dos anos em que cada Vida se conta.
Fica sempre, mesmo quando partimos, nem que seja pela viagem ao Infinito.
É, verdadeiramente, a única prova da nossa singularidade.
Mas quem somos?
Esta é, no último momento, a única pergunta a que urge dar resposta.
É mesmo a única que tinge a seu modo esta Luz!
Apenas vivendo em verdade, mirando-se sem qualquer pudor no espelho da individualidade, desnudado portanto, pode cada um de nós transbordar uma Luz alva.
Aceitando as suas arestas, amando as suas rugas, deliciando-se com os sonhos que já voaram porque sabe que novos virão nos descobrimos como singular, e, assim, obra prima.
Só então somos o nosso eu; sendo naquele momento que damos quem somos ao Mundo naqueles que nos acolhem: apenas então somos a chama da lealdade.
A Luz verdadeira.



Eu

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

Álvaro de Campos

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Eu

Raramente um Homem conhece outro melhor que a si.
Nascemos do embrulho de outros, os que nos produzem de sonhos ou então do acaso, mas ao virar de cada esquina, no fim de cada recta, sempre depois dos tantos cruzamentos que havemos de experimentar, começamos a tomar consciência de que somos um outro.
Devagar, pois nisto de descoberta tudo é de mansinho, começamos por lançar o olhar àquilo que, afinal, não somos, percebendo o que, é certo, não queremos.
É um jogo de olhares e desmentidos!
Olho-me, vejo-me, chego a buscar-me e a rebuscar-me e nada mais sei do que o que não sou!
Qual teatro de sombras, eu sou eu e estou lá tal como a sombra de mim; mas eu não sou só eu, mas a sombra também não me tem a mim: somos ambas e nada somos.
Indo um pouco mais além, fazendo o Caminho borda fora, começamos a saber-nos diversos: diferentes de quem se demora em nós, com o sentir tão distinto de quem vai connosco partilhando os sonhos, com uma pele tão menos fluída daquela mão que tanto nos acariciou.
E tudo pára.
De repente, ou mesmo de rompante, sabes que és tu.
Tu.
Uma plenitude de verdade, aquela novidade que, enfim, se descobre.
Percebes-te unico e o unico lugar onde és verdadeiramente teu e inteiro: podes revelar-te sem que isso te produza mácula, podes ser sem que tal provoque dor - sempre momento de partida, eterno momento de chegada.
Contigo nunca estás só e sabes-te sempre pronto para a hora de qualquer partida que a Vida te marcar, pois de nós para connosco acabamos por entender, ao som do silêncio, que somos a unica amurada que sempre nos acompanhará.   



O Solitário


O solitário leva uma sociedade inteira dentro de si: o solitário é multidão. E daqui deriva a sua sociedade. Ninguém tem uma personalidade tão acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O génio, foi dito e convém repeti-lo frequentemente, é uma multidão. É a multidão individualizada, e é um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de próprio é, no fundo, aquele que tem mais de todos, é aquele em quem melhor se une e concentra o que é dos outros.

(...) O que de melhor ocorre aos homens é o que lhes ocorre quando estão sozinhos, aquilo que não se atrevem a confessar, não já ao próximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando estão em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solitário costuma atrever-se a expressá-lo, a deixar que isso floresça, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando estão sozinhos, sem que ninguém se atreva a publicá-lo. O solitário pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa, enquanto querem enganar-se uns aos outros, pretendendo acreditar que pensam outra coisa, e sem conseguir que alguém acredite.
Miguel de Unamuno

 

domingo, 2 de janeiro de 2011

A memória do Amor

De tudo quanto se vive fica a memória.
Gosto de mirar-me, não que o seja por mim, apenas por mim; apraz-me o gosto de reencontrar todos os gestos de quem me fabricou.
Neste extenso álbum dos afectos fica a indelevel marca de que vivi, por todo este tempo de Vida, na alma de quem me quis seu. Assim me fazendo seu.
Os afectos, que são os afagos mais doces, os olhares mais meigos, o dedilhar mais macio, tornam-nos sempre novos peregrinos, olhando o rugoso do Caminho com um novo enlevo; Caminho que se segue com uma nova serenidade.
Quem ama, quem mais ama, é, decerto, quem mais se ama, pois que outro modo seria para amar o pedaço de nós que já é barro de outrem, aquele fio tão perene mas que nos segura para sempre?
Do Amor e dos amores recolhe-se Vida, mais e sempre mais e melhor sentido de a viver; pois novo sangue nos inunda, novo compasso nos dita, novo Luz nos ilumina.
Somos, eternamente, novos quando amamos, sendo que quem ama inaugura em si uma diversa morada a cada instante: a Vida de quem o inunda, a Luz de quem o ilumina.
E um coração com tantas bainhas e pespontos é um coração verdadeiramente bordado e, assim, sempre mais belo: seja a ponto-cruz, a cheio ou a ponto pé-de-flor, ou mesmo com todos eles, será um coração diverso.
Do Amor nunca se poderá lamentar nada que não seja vivê-lo, pois quem se acolhe no medo de um tique-taque diferente não vive, sente apenas o rumor das horas. Horas perdidas!
Amo e amarei para sempre.
A todos que me fizerem resgatar os sonhos e a melhor memória de mim: a menina-mulher, que nascendo só, se fez em quem lhe ditou forma e lhe ensinou que viver é muito mais que olhar a dança da árvores ou que se segurar na margem mais próxima.
Amar é mesmo seguir no maior dos balões e desejar muito que o vento nos transporte ao mais longe de nós.


A Mulher Mais Bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luis Peixoto