Muito queria saber de mim pelo que não sei.
O som do silêncio que escolho, que é toada de encontro, ecoa as sombras de quem fui, sendo.
E se ter sido parece passado, ei-lo então aqui.
Da menina que fui está intacta a fragrância do sonho no desejo de ser os que lêem todas as palavras, os que têm a Alma inundada pela sede de Mundo, sempre vivendo como mais um pedaço de Natureza: livre.
E daí se fez Caminho.
Eis-me Mulher.
Senti-o quando me descobri dona de um ventre onde era a artífice da Vida, uma nova vida tão grande como uma Alma grande e generosa.
Mais o descobri quando o ventre foi sonho, dos que começam no coração e se tornam Verbo e Luz, como os olhos que me miram e os meus buscam procurando como se faz mas, sobretudo, como se é.
Soube-o quando a Vida me desafiou, fazendo-me rumar ao epicentro de mim para que nunca me perdesse.
Vivo-o hoje de pleno.
Encontro-me inteira no coração de quem me deu Vida e cresço sempre, e em cada dia, com cada um dos dois corações que de oferenda doei ao Mundo.
Sou eu no olhar húmido e inteiro do homem que em mim vive, amante e amado, amado e amante, onde revejo a menina e os sonhos, os sonhos que são Vida.
O que mais serei não adivinho, di-lo-à cada uma das estórias que me fabricarem, do que sendo presente eu quiser aprender para ser.
É importante saber o que se quer,
ser sempre sincera,
ter vontade própria mesmo que seja difícil,
pensar sete vezes antes de decidir alguma coisa,
mas mostrar-se aos outros tal como se é.
Snu Abecassis

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