Desavisadamente, como sempre as belas coisas acabam por acontecer, dei-me conta de que nada na Vida, em especial na minha, tinha Verdade e sentido sem a Luz própria que de mim brota.
Uma daquelas interpelações que se escutadas no mais íntimo poderá produzir o princípio ou o fim.
Com ela veio o silêncio, o mirar e o viver em suspenso, como se fosse uma gota de água tão transparente, quanto fluída e consistente: um Mundo só.
E quando assim se olha a Vida, revendo-nos como só um pedaço mas um todo também, há uma espécie de consolo que provém da capacidade de sermos tudo e nada.
Neste aparente desencontro de mim, que mais não era que o encontrar do Caminho, num cais de embarque vim a cruzar-me com uma Alma grande, a que habita numa mulher fabulosa, que em não mais de cinco minutos, me revelou a placidez e a candura que sempre se descobrem em quem já tanto viveu mas que sempre tem o deslumbramento no olhar: íamos ambas para Paris - eu para me deliciar com um filho, aquela enorme senhora para conhecer o seu neto.
E eu que já antevia o Caminho, pelas suas mãos vi chegar as letras decisivas para o entender; melhor, as convenções para entender o mapa que eu sou.
"O Segredo para a Felicidade", escrito por Jacques de Coulon.
Aquele que, se olharmos ao rótulo, pode assemelhar-se a um livro de auto-ajuda, nada mais é que um roteiro de perguntas, das mais difíceis, e também urgentes, que cada um se impõem e, as mais das vezes, não ousamos responder.
Foi um desafiante roteiro, saboroso até, pois foi levado até ao ultimo esteio.
A conclusão foi bela: encontrei-me na poesia, a mais bonita forma do silêncio.
Afinal não mais que o reencontro com quem sempre fora.
Recordo-o hoje em homenagem àquela mulher, a Prof. Ana Albuquerque Queiróz, lembrando Tagore, o poeta, companheiro de todos os momentos, cujo nascimento ocorreu há 150 anos, precisamente no mesmo dia, amanhã, 3 de Maio, que a pequena Joana, agora já com 4 anos, me lembra que todos os sonhos são a Vida.
Basta sonhá-los.
Cântico da Esperança
Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.
Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.
Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.
Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.
Não seja eu tão cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso!
Rabindranath Tagore

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