Houve um dia, ou só talvez uma hora que pode ser sido apenas um minuto, em que um pedaço, que era parte de nós, se esvaiu: ou por se ter escoado na pegada de um sol que nunca mais nascerá, por ser parte de um coração que bate ao compasso da nosso arfar ou tão-só porque seguiu na aragem do sonho que, de tão belo, só o Tempo o pode resguardar porque a memória é demasiado escassa - pois é humana.
Sobrevem um silêncio, que não o é, mas sim uma pequena lástima; não mais do que o desejo de sentir onde mora o seu Eu, de encontrar o Caminho de volta para si. O desejo de voltar a casa.
Aquele momento em que o suspiro é de tranquilidade e o aconchego o reencontro de todos os odores, pois ali todos os olhos nos podem mirar desnudando, que sempre nos achamos acolhidos. Por vezes as palavras até sobejam que só o rumor do sentir é meio de fazer cavalgar aquelas Almas à solta.
Haverá um segundo, que pode mesmo ser um ano ou toda a Eternidade, em que nunca mais teremos que saber o que é saudade. Aquele em nunca mais sairemos daquele recanto que são os que amamos: o momento em que saberemos sentir que aquele silêncio é mágico porque nele falam todos os que amamos pois a sombra que vertemos já não é do Eu, é o espelho de todos os bem-quereres.
É o instante da Imortalidade, o da certeza de nos sabemos vivos para sempre na memória de quem connosco vive a Luz de um olhar.
Lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny
